Caixa reclama 42,6 milhões a membros da família Goes Ferreira

Processo deu entrada no dia 29 de setembro no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, segundo informação disponível no portal Citius e citada esta tarde pelo Expresso.

Elisabete Tavares
O presidente da Comissão Executiva da CGD, Paulo Macedo © JOSÉ COELHO/LUSA

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) exige 42,6 milhões de euros a quatro membros da família Goes Ferreira, tendo avançado com uma ação em tribunal para reclamar aquele montante.

A notícia foi avançada na tarde desta sexta-feira pelo Expresso, que cita informação disponibilizada no portal Citius.

Segundo a informação disponível no portal, e consultada pelo Dinheiro Vivo, a ação deu entrada no dia 29 de setembro no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. O processo abrange quatro membros da família Goes Ferreira: "José Manuel Pita Góis Ferreira; João Manuel Pinto Salgado Góis Ferreira; Maria da Graça Pinto Salgado Góis Ferreira Proença Varão; Maria da Graça Pinto Salgado Goes Ferreira".

Ainda não foi possível obter mais informação sobre este processo junto da Caixa Geral de Depósitos.

José Manuel Pita Góis Ferreira - antigo acionista do BCP e ex-membro do seu conselho superior - indicou ao Expresso desconhecer este processo da CGD.

O processo segue-se a uma outra ação de execução colocada pela CGD em 2018 e está relacionado com o financiamento dado pelo banco público ao empresário para investir no BCP.

O tema do crédito concedido pela CGD à família Goes Ferreira foi abordado na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco.

"A CGD financiou a aquisição de participações cerca de 8% do capital social do BCP, segundo vários depoimentos. Estes financiamentos configuravam um risco sistémico, uma vez que que estes mutuários obtiveram financiamento adicional junto de outros bancos portugueses", pode ler-se no relatório final da Comissão.

Conclui ainda que o crédito concedido pela CGD ao Grupo Goes foi uma das 25 "operações de crédito elencadas no Relatório EY como tendo gerado maiores imparidades", a par das concessões de crédito ao Grupo Investifino e Grupo José Berardo.

"Os financiamentos inicialmente concedidos pela CGD a estas entidades ascenderam a mais de 500 milhões de euros, tendo sido reconhecidas perdas,

em 2015, de 285 milhões de euros . Os montantes em dívida, no mesmo ano, ascendiam a 436 milhões de euros", lê-se no relatório. O rácio médio de perdas reconhecidas sobre o saldo em dívida situava-se em 65%.

Segundo o mesmo documento, em 2015, a exposição da CGD ao Grupo Goes era de 30 milhões de euros, com uma imparidade e crédito abatido ao ativo 28 milhões de euros.

Atualizada às 19H21 com mais informação

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