Carmo Wood está a crescer 35% em pandemia e investe mais 5 milhões

Os postes para telecomunicações, o mobiliário de jardim e a construção ao ar livre são das áreas de negócio com maior crescimento e que largamente compensaram a quebra no segmento agrícola e no turismo.

Ilídia Pinto
Jorge Milne e Carmo, Presidente da Carmo Wood © Artur Machado/ Global Imagens

Fortemente penalizada pela covid-19 nas suas áreas de negócio mais tradicionais, designadamente a nível do turismo e da agricultura, a Carmo Wood, grupo português especializado em madeira tratada, encontrou no bricolage a resposta para fugir aos efeitos da pandemia. Confinadas, as famílias optaram por investir nas suas habitações, construindo decks e pérgulas nos jardins ou renovando o soalho da casa, uma tendência transversal aos vários mercados em que a Carmo opera, mas com uma dimensão especial em Portugal, Espanha e França. "Só em Espanha, estamos a crescer 500% nas madeiras para o mercado DIY (do it yourself), sobre os 300% que crescemos no ano passado. É uma autêntica loucura", diz Jorge Milne e Carmo, presidente da Carmo Wood.

Com fábricas em Pegões, Almeirim e Oliveira de Frades (aqui são duas), o grupo foi um dos que sofreu duramente os incêndios de outubro de 2017 na região centro. Em consequência, em 2018, arrancou um investimento de 30 milhões destinado não só à recuperação das fábricas destruídas, mas à sua modernização e aumento de produtividade, com a instalação de novos equipamentos e o recurso aos automatismos e à inteligência artificial. Um investimento que visava pôr a Carmo Wood a crescer faturar três vezes mais - vendia 45 milhões em 2017 -, mas a pandemia veio baralhar as contas. É verdade que nas áreas de maior crescimento neste último ano e meio, como os postes para telecomunicações, o mobiliário de jardim e a construção ao ar livre, as vendas já ultrapassaram essa meta, mas, no global, o volume de negócios ainda está aquém, devendo chegar, este ano, aos 90 milhões.

Em compensação, a dinâmica de mercado exige já mais investimentos para um novo aumento de capacidade produtiva em Oliveira de Frades, calculado em cinco milhões de euros, que está já em marcha, através da ampliação das fábricas e da construção de duas novas carpintarias com seis mil metros quadrados cada uma.

Além disso, a empresa vai reforçar a sua aposta no negócio B2C. Tradicionalmente focada em fornecer empresas, a Carmo Wood abriu, em outubro de 2020, nas instalações da sua fábrica de Pegões, a sua primeira loja destinada ao público. Já este ano, há cerca de dois meses, abriu uma segunda, em Oliveira de Frades, e prepara-se, agora, para arrancar com a construção, em breve, de um verdadeiro supermercado em Almeirim, aguardando, apenas, o licenciamento camarário para avançar.

Um espaço onde venderá não apenas todo o seu portefólio de produtos, mas, também, tudo o que é necessário para construção em madeira, desde as tintas, às ferramentas, etc. "É uma ideia que já vinha a ser pensada há algum tempo e agora surgiu a oportunidade. Estamos a aprender e estamos a ter muito bons resultados", garante o responsável da empresa.

Fundada em 1981, a Carmo Wood é hoje "líder europeia incontestada no mercado agrícola". Exporta para 40 países e aproveitou a pandemia para alargar o seu espetro de mercado, a novos produtos e a novos mercados. "Crescemos 30% em França em 2020, alargando a nossa oferta, e fizemos a mesma coisa em Itália . E entramos em mercados novos, onde tínhamos vendas incipientes. Países como Holanda, Bélgica ou Alemanha, que têm crescido bastante", frisa.

O turismo tradicional, para o qual faz restaurantes e passadiços de praia, foi muito prejudicado com a covid-19, mas, em contrapartida, os municípios do interior procuraram atrair clientes, apostando em passadiços e nos chamados glampings, os campings com glamour. "Nunca se fez tanto passadiço na vida", admite o empresário, que tem já uma "vasta carteira de encomendas" para obras em campings e glampings para arrancarem a partir de outubro.

E os planos de recuperação e resiliência são uma garantia do regresso do investimento público. Em Portugal, por exemplo, a Carmo Wood tem já contratos na ordem dos quatro milhões de euros para o fornecimento de vedações de segurança para a ferrovia. "Só estamos à espera que venha o dinheiro", garante.

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