Carruagens napolitanas voltam aos carris um ano após resgate

Comboio histórico do Vouga rebocou três carruagens napolitanas que estiveram 20 anos abandonadas no Tua. Cada composição foi recuperada com um investimento de 50 mil euros.

Diogo Ferreira Nunes
Carruagens Napolitanas foram rebocadas por locomotiva a carvão-vapor. © Fotografia cedida por Manuel Moreira

Durante quase duas décadas, quatro carruagens napolitanas, da década de 1930, estiveram estacionadas junto à estação ferroviária do Tua. O material de via estreita estava ao abandono até que a CP decidiu resgatar as composições em julho de 2020 e recuperá-las nas oficinas de Contumil.

Menos de um ano depois, duas destas unidades voltaram aos carris neste fim de semana, para o comboio histórico do Vouga. O regresso apenas foi possível porque a transportadora pública investiu 50 mil euros na recuperação de cada uma das carruagens; no mercado, cada composição vale um milhão de euros.

Na marcha deste fim de semana também seguiu uma carruagem napolitana furgão, que já se encontrava estacionada em Macinhata do Vouga. Além de uma unidade de reserva, há ainda duas outras composições desta denominação a serem recuperadas em Contumil.

A rebocar este material circulante esteve a locomotiva a carvão vapor E214. Fabricada pela casa alemã Henschel & Sohn, é a única da frota da CP que está preparada para circular em via estreita (também conhecida como bitola métrica). Funciona exclusivamente a carvão e água e lá dentro têm de estar fogueiros para que a máquina não pare.

As carruagens napolitanas estiveram em risco de serem transformadas em sucata em 2018. Só foram salvas graças à intervenção da atual administração da CP, Nuno Freitas, escreveu o jornal Público em novembro de 2019.

Transporte da carruagem napolitana, entre duas carruagens Schindler, até às oficinas e Guifões da CP. (Direitos reservados)

Fabricadas na década de 1930 em Nápoles, Itália, estas carruagens fizeram parte de um lote de 17 carruagens e 3 furgões, assim como 4 locomotivas a vapor alemãs compradas pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal. Em 1947, este material passou para as mãos da CP e circulou nas linhas de bitola métrica do Porto e Póvoa do Varzim.

Entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980, depois de serem renovadas, estas carruagens migraram a linha do Tua, onde estiveram ao serviço até 2001.

Várias carruagens não sobreviveram até aos dias de hoje. Um incêndio destruiu algumas unidades; em abril de 2017, foi anunciada a venda de duas unidades a uma empresa espanhola para fins turísticos.

O Vouguinha voltará a circular no próximo fim de semana, de 15 e 16 de maio, com uma marcha no sábado e outra no domingo, composta por cinco composições: três carruagens históricas de madeira construídas na Bélgica (1908), Alemanha (1925) e em Portugal (1913), nas oficinas do Porto, pelos então Caminhos de Ferro do Estado. O comboio contará ainda com uma carruagem portuguesa, construída no Barreiro (1908) e uma carruagem napolitana.

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