Casais investe em quatro fábricas novas ao abrigo do PRR

Grupo de Braga lidera consórcio de 23 entidades, entre empresas e centros de investigação, com projetos de construção sustentável que ascendem a 42,3 milhões e passam por soluções hidráulicas, mecânicas e elétricas, de carpintaria e infraestruturas off-site.

Sónia Santos Pereira
António Carlos Rodrigues, CEO da Casais, empresa que lançou ontem a primeira pedra do B&B Hotel Guimarães, um investimento de 11 milhões que será desenvolvido dentro do conceito de construção sustentável. © André Vidigal/Global Imagens

A Casais vai construir quatro novas fábricas até 2026 com o objetivo de reforçar a aposta na construção industrial sustentável. O investimento integra o projeto CSI4Future, apresentado por um consórcio de empresas liderado pelo grupo de Braga, no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O consórcio é composto por 23 entidades - 16 empresas e sete polos de investigação e desenvolvimento do ensino superior - que pretendem investir 42,3 milhões de euros no incremento de práticas sustentáveis e na melhoria da eficiência da indústria de construção. O grupo Casais será o responsável pela maior fatia do investimento.

Segundo avançou António Carlos Rodrigues, CEO da Casais, o projeto a cargo do grupo envolve a construção de mais uma fábrica da BluFab, especializada na produção de infraestruturas para montar nas obras (construção off-site); de uma nova unidade de carpintaria; e de uma produtora de instalações hidráulicas, mecânicas e elétricas, investimentos que ascendem a 15 milhões de euros. A estes três reforços industriais soma-se uma unidade de pré-fabricação de materiais de construção, numa parceria 50/50 com a Secil, orçada em quase oito milhões.

O programa de investimento CSI4Future já passou à segunda fase do concurso das Agendas Mobilizadoras, faltando agora saber se assegura a aprovação final e os respetivos fundos comunitários. Mas, na parte que compete à Casais, os investimentos já estão no terreno. Como salienta António Carlos Rodrigues, "com o apoio do PRR ou não, o projeto já está a avançar". No verão passado, o grupo comprou um terreno de 11 mil metros quadrados junto à sede, onde estava instalada uma antiga indústria, e já em novembro passado arrancou com os trabalhos de demolição para construir a segunda fábrica da BluFab. "É evidente que os apoios das Agendas Mobilizadoras permitirão fazer os investimentos mais rápido e com mais impacto, mas nós já estamos a investir e vamos continuar", realça.

Este projeto industrial liderado pela Casais tem como principal objetivo responder às exigências de uma construção mais sustentável e industrializada, um caminho que o grupo já começou a trilhar nos últimos anos e que se materializou com a entrada em operação da BluFab, em 2019. "A sustentabilidade não é uma moda, não é algo de que alguém se lembrou para fazer marketing. Está para ficar e nós temos de fazer a transição na forma como construímos", sublinha o gestor. E lembra que os investidores imobiliários, na altura da tomada de decisões, vão ter em conta se os edifícios têm certificação de sustentabilidade ESG (assente nos critérios ambiental, social e de governação) e se estão de acordo com a lei da taxonomia ambiental definida pela União Europeia. "É este o futuro".

Por isso, um dos pontos centrais do CSI4Future é promover uma construção mais eficiente no país, com uma pegada carbónica mínima. E para atingir essa meta propõe uma aposta na circularidade dos produtos e materiais utilizados, na redução dos resíduos, na escolha de materiais mais duráveis, na digitalização de processos, e novas formas de projetar e construir através de soluções modulares (off-site). Mas como toda esta revolução na construção não se faz sozinha, o grupo Casais decidiu juntar mais empresas do setor ao projeto, "porque o propósito das Agendas Mobilizadoras não é desenvolver um grupo económico, é fazer com que a aposta num processo de trabalho diferente tenha um impacto transversal na atividade", justifica o gestor. "Nós entendemos que se houver mais empresas a trabalhar desta forma aumentamos a nossa capacidade de juntar mais parceiros e de trabalhar com um mindset mais produtivo", realça ainda.

O grupo Casais registou em 2021 um volume de negócios de 560 milhões de euros, 60% obtidos com as operações nos mercados externos, "o melhor resultado até hoje", aponta António Carlos Rodrigues. Para o atual exercício, as previsões são de um crescimento de 5%, mas há imponderáveis que podem pesar nas contas, como o aumento da inflação e a agudização da falta de mão-de-obra. O grupo ficará próximo de atingir a meta dos 600 milhões de faturação, que o impacto da pandemia adiou.

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