CEO da TAP diz que plano de reestruturação é um "bom" plano

Questionada sobre porque não optar por uma solução como a italiana, de encerrar uma companhia e abrir de seguida outra, Christine Ourmières-Widener salientou que o plano de reestruturação da TAP é "um bom plano", e que "é dificil comentar os colegas italianos e desejo-lhes sorte. Mas para já ainda não tiveram sucesso".

Ana Laranjeiro
Christine Ourmières-Widener © DR

A presidente executiva (CEO) da TAP considera que o plano de reestruturação da companhia aérea, submetido a Bruxelas em dezembro passado e que ainda não teve luz verde, é "um bom plano". E questionada porque não determinar o encerramento da transportadora, como parece ser a rota da Alitalia, e abrir uma nova ao lado, como a transalpina ITA, já autorizada por Bruxelas, Christine Ourmières-Widener diz que essa solução ainda não comprovou ser eficaz.

"O trabalho de ser CEO da TAP é uma ótima oportunidade. Estou muito contente. Acho que a dificuldade está ligada à incerteza. Quando se gere uma empresa como a TAP, é preciso ter alguma direção, não apenas sobre a envolvência e procura, que é incerta . Para qualquer negócio, a grande dificuldade é quando há um nível considerável de incerteza. Além disso, temos o processo com a Comissão Europeia. O lado positivo é que as fronteiras estão a começar a abrir, primeiro Brasil, e depois EUA. Outro ponto positivp é o apoio do governo", bem como a equipa e funcionários empenhados, defende durante um painel que decorreu na conferência sobre a retoma do turismo, promovida pela Confederação do Turismo.

A líder da TAP, que assumiu funções no final de junho, indicou ainda, quando questionada sobre o caminho seguido em Itália, que: "O plano apresentado à Comissão Europeia é um bom plano de reestruturação. É dificil comentar os colegas italianos e desejo-lhes sorte. Mas, para já, ainda não tiveram sucesso. Sou uma pessoa muito pragmática. O plano que foi submetido conta com as melhores práticas do setor no que diz respeito ao corte de custos e reestruturação. O que precisamos é cumpri-lo".

No passado dia 10, a Comissão Europeia ordenou à Itália que recupere 900 milhões de euros de ajudas estatais à transportadora aérea Alitalia após ter concluídos que os auxílios são ilegais ao abrigo das regras da União Europeia (UE). Aos 900 milhões de euros que somam dois empréstimos à Alitalia, acrescem ainda juros, segundo um comunicado da Comissão Europeia. Bruxelas deu ainda luz verde à ITA, a nova empresa.

Christine Ourmières-Widener salvaguardou que todos na empresa "entendemos o investimento do País e dos contribuintes e sentimos que temos uma obrigação de devolver". Embora não seja simples gerir em tempos de elevada incerteza, aponta que "é algo que temos de fazer. Temos de avaliar opções e a implementação de corte de custos é algo que se pode fazer sem que o plano esteja aprovado".

"Olhamos para a procura - por exemplo neste inverno vamos voar 80% da capacidade que voamos em 2019 porque vemos uma melhoria significativa nas reservas para a frente, sobretudo para o longo curso e vimos um pico para o Brasil e agora para a América do Norte. Temos de tomar decisões com base nos factos e temos de usar os factos que temos para seguir em frente", rematou.

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