Cerveja Quinas prepara chegada a Cuba no próximo ano e espera triplicar as vendas

Presente em 32 países, a marca prevê chegar aos 15 milhões de euros em 2023. Só para Cuba tem um contrato de seis milhões, e outro de 20 milhões para Marrocos em dois anos. Investimentos de mais de 30 milhões em três unidades vão reforçar a capacidade produtiva.

Ilídia Pinto
Sérgio Duarte, CEO da Domus Capital, dona da Cerveja Quinas © André Rolo / Global Imagens

Criada em 2018, a Quinas nunca escondeu a sua ambição de vir a ser um player relevante no setor cervejeiro, apostando nos mercados internacionais para depois atacar o mercado interno, bipolarizado nas duas grandes cervejeiras nacionais. Cinco anos depois, a marca está já presente em 32 países, tendo em Marrocos, Canadá e Singapura os seus principais mercados de destino. Mas há novos, como Cuba, para onde partiram, esta semana, os primeiros nove contentores, de um contrato de seis milhões de euros. Para lhes dar resposta e preparar o novo ciclo de crescimento, estão em curso investimentos de mais de 30 milhões em três unidades industriais.

Em causa está a renovação de duas fábricas que a Domus Capital, a empresa proprietária da cerveja Quinas, comprou em Ílhavo e em Estarreja, e a construção de uma nova na Ribeira Grande, nos Açores, num investimento total inicialmente pensado na ordem dos oito milhões de euros, mas que vai ultrapassar largamente os 30 milhões e criar cerca de meia centena de postos de trabalho.

Até agora, a produção era subcontratada, mas a empresa decidiu que não queria continuar dependente de terceiros e comprou as duas fábricas onde as suas cervejas eram produzidas, e está agora a renová-las. Com sete mil metros quadrados e uma capacidade de produção diária de quatro mil garrafas à hora, a unidade de Ílhavo está já a ser renovada, ao abrigo de um projeto comparticipado pelo SI Indústria 2020. Estará concluída até março do próximo ano e prevê três áreas de atuação distintas: a cerveja, os refrigerantes - com a marca Sumovite, que a Domus Capital relançou em 2020 - e a produção de águas funcionais e nutricionais, bem como de bebidas clínicas.

"Se há coisa que a pandemia nos alertou foi para a necessidade de as empresas estarem preparadas para o futuro, não se limitando a um só segmento de produto. E o que estamos a fazer é isso, é pensar mais à frente", explica o CEO da Domus Capital, Sérgio Duarte.
Nos Açores, com inauguração prevista para abril ou maio do próximo ano, está já a ser construída uma fábrica, na Ribeira Grande, em São Miguel, cuja pré-candidatura ao Construir 2030 foi já submetida.

Já em Estarreja, em vez do investimento de quatro milhões inicialmente previsto, na renovação da fábrica, que tem 20 mil metros quadrados, a Domus Capital vai investir cerca de 30 milhões para aí instalar uma unidade de "grandes dimensões", para dar resposta ao mercado chinês, mas também tendo em vista o desenvolvimento do mercado português.

"A Quinas será, provavelmente, a marca que tem a maior ambição de disputar a liderança do mercado nacional e, por isso, vamos arrancar com uma linha de grande dimensão, que iremos executar entre 2023 e 2024. É um passo muito importante que vamos dar, mas chegou a hora", diz o empresário, sublinhando que, para conquistar espaço em Portugal, havia primeiro que assegurar "a maturidade da marca".

Um trabalho que tem vindo a ser feito através de patrocínios a equipas de futebol, como o Gil Vicente, o Santa Clara ou o Leixões, ou a ligação à música, com o cantor Toy, e que vai "demorar alguns anos e vai depender da velocidade a que construirmos a nova unidade, que nos vai dar outra dimensão", diz o empresário, detalhando que o investimento de 30 milhões em Estarreja vai permitir uma faturação total na ordem dos 200 milhões, 40 vezes mais do que o volume de negócios atual.

Com vendas de 2,5 milhões de euros em 2021, a Quinas vai, este ano, ultrapassar os cinco milhões e tem por objetivo triplicar este valor, em 2023, e chegar aos 15 milhões. A exportação vale já 60% das vendas, com o mercado marroquino a pesar 25%, graças a um acordo com o gigante da distribuição Carrefour. Para os próximos dois anos, está já assinado um contrato de fornecimento no valor de 20 milhões.

Além disso, Sérgio Duarte espera, em breve, concluir as negociações com a China - estavam já praticamente finalizadas, mas o eclodir da guerra na Ucrânia obrigou à alteração das condições estipuladas -, e arrancar com esta operação a partir de janeiro ou fevereiro do próximo.

Um mercado "gigantesco" e de "consumos fantásticos", que será abastecido a partir de Portugal, não só porque o consumidor chinês "gosta de cervejas importadas e do que é europeu", mas também porque a Quinas pretende "manter a alma portuguesa em tudo o que faz". A grande preocupação é assegurar o abastecimento de matérias subsidiárias, designadamente vidro, em quantidade suficiente.

A nova fábrica de Estarreja será determinante para este crescimento da marca, mas o objetivo é também produzir cervejas em Portugal para terceiros, designadamente para grandes grupos internacionais. Questionado sobre o tipo de ligação internacional que pretendem, Sérgio Duarte diz que está disponível para analisar parcerias estratégicas com quem trouxer volumes, know-how e força de vendas, que garanta a rentabilidade deste investimento.

"Com o que conquistamos nestes cinco anos, chegando a 32 países, é impossível não estarmos no radar das grandes cervejeiras mundiais, mas essa não é a nossa preocupação. Continuamos a fazer o nosso trabalho e a nossa caminhada", diz.

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