Criado grupo de trabalho para reabrir Linha do Douro até Barca d'Alva

CCDR do Norte, Infraestruturas de Portugal e ministério da Coesão Territorial vão liderar equipa que vai definir modelo de reabertura do troço entre Pocinho e a fronteira, encerrado desde 1988. Solução poderá transporte de mercadorias.

Diogo Ferreira Nunes
Parte do troço da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d'Alva, junto à Barragem do Pocinho. © André Rolo/Global Imagens

Vai ser criado um grupo de trabalho para definir qual o melhor modelo de reabertura do troço da Linha do Douro entre as estações do Pocinho e Barca d'Alva. A equipa será liderada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e contará com o apoio do ministério da Coesão Territorial, segundo o anúncio feito esta sexta-feira em Torre de Moncorvo pela ministra Ana Abrunhosa. Encerrado desde 1988, o troço poderá ganhar um serviço ferroviário turístico e que poderá incluir o transporte de mercadorias.

"A ideia é definirmos que modelo queremos para retomar esse troço. O grupo de trabalho vai fazer a análise custo-benefício, vai tentar perceber, com os atores da região, o melhor modelo para essa retoma", referiu Ana Abrunhosa à saída da reunião com os autarcas da região e o secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado.

Formalmente, o grupo de trabalho será constituído em maio e terá de apresentar as conclusões até ao final de 2021. "Teremos novidades sobre qual a opção para retomar, qual o investimento envolvido e quais as fontes de financiamento", acrescentou a ministra.

O modelo-base deverá passar pela reabertura da linha para o transporte de turistas. Ana Abrunhosa, contudo, não exclui o serviço de mercadorias, como alternativa ao transporte fluvial.

"Estamos a falar de uma região que tem um potencial turístico e produtivo muito importante em várias áreas. É um verdadeiro projeto de coesão territorial, para fomentar o turismo, a agricultura, a agroindústria, e é um projeto que é uma alternativa ao transporte fluvial, que tem as suas limitações pelas condicionantes ambientais", salientou a ministra.

A reabertura da Linha do Douro até à fronteira implica um investimento de 43 milhões de euros, segundo um estudo de 2017 da Infraestruturas de Portugal. Fora dos planos está a reabertura do troço entre a fronteira e La Fuente de San Esteban, que implicaria um investimento entre 87 e 119 milhões de euros do lado espanhol.

O regresso dos comboios a Barca d'Alva tem conquistado cada vez mais apoiantes. Em março, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, juntou a esta lista. "Sou a favor da extensão da Linha do Douro até Barca d'Alva. Tem um potencial turístico muito importante. É uma das regiões mais bonitas do Douro", admitiu o governante em audição parlamentar em 22 de março.

No início de março, o Parlamento aprovou, por unanimidade, a petição para a reabertura deste troço. O documento apresentado pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e da Fundação Museu do Douro reuniu 13 999 assinaturas.

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