Daniel Traça: "As escolas de negócios têm de deixar de estar centradas em si e abrir-se ao mundo"

A Nova SBE foi eleita, pelo ranking do Financial Times, a melhor escola portuguesa na formação de executivos e a 22ª melhor a nível mundial.

Rute Simão
Daniel Traça, professor catedrático e diretor da Nova SBE © Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Daniel Traça lidera a melhor escola de negócios do país e uma das melhores do mundo. Esta segunda-feira, 23, o ranking Executive Education 2022 do jornal britânico Financial Times elege a Nova School of Business & Economics (Nova SBE) como a melhor escola portuguesa na formação de executivos e destaca-a como a 22ª mais bem posicionada a nível mundial.

Nos últimos três anos, passaram pelo campus Carcavelos 17 mil alunos de cem nacionalidades. A taxa de empregabilidade dos estudantes da Nova SBE é quase total. Três meses após concluírem os mestrados de finanças e gestão, 98,5% e 95,7% dos estudantes destas áreas, respetivamente, têm emprego. As perspetivas salariais acompanham os bons números: nos primeiros três anos após a entrada no mercado de trabalho, os antigos alunos da escola registam um aumento salarial de 42%, na área das finanças, e de 62% em gestão.

"Um aspeto importante passa pelo impacto nas carreiras de muitas das pessoas que participam nos programas da Nova SBE. A combinação do desenvolvimento de competências e acesso a novo conhecimento, a promoção de espaço para reflexão tão raro nos nossos tempos, e a criação de ambientes propícios ao network entre colegas ou elementos de outras organizações tem beneficiado o crescimento profissional dentro e fora das suas organizações" justifica o dean da Nova SBE, Daniel Traça.

A alta competitividade da Nova SBE aliada a uma frequência elevada de estudantes estrangeiros acaba por empurrar os profissionais para carreiras internacionais. Apenas uma fatia de 32% dos graduados dos mestrados fica a trabalhar em Portugal.

"As escolas de negócios têm de deixar de estar centradas em si mesmas e abrir-se à comunidade e ao mundo. Têm de preparar gestores para o mundo de incerteza e transformação em que vivemos. Para isso têm de se transformar elas próprias. E de forma que ainda não é certa. Para isso é preciso inovar, experimentar e abrir ao mundo. A nossa estratégia é ser a escola de futuro, para o futuro e fazê-lo de Portugal para o mundo", acrescenta.

A internacionalização é um dos fatores com maior peso na reputação da instituição. O corpo docente conta com 50 professores estrangeiros. Os mestrados que vão arrancar já no próximo mês de setembro receberam três mil candidaturas, sendo que 65% vieram de alunos de outros países. Nos últimos três anos as candidaturas internacionais aos mestrados subiram 55%.

Atualmente, a Nova SBE tem cinco mil alunos em programas de licenciatura, mestrado e doutoramento e, além dos portugueses, destacam-se 10 nacionalidades internacionais: alemã, italiana, francesa, brasileira, austríaca, espanhola, belga, moçambicana, chinesa e holandesa. Já a formação de executivos é frequentada por 7500 alunos de 37 diferentes nacionalidades.

"Na nossa estratégia de internacionalização ultrapassamos os velhos paradigmas das periferias, das incapacidades apriorísticas. Temos alunos da Nova SBE em mais de uma centena de países, que desempenham funções de relevo em organizações globais e que mantêm uma ligação especial com Portugal por essa via, constituindo-se como embaixadores do país e da nossa economia. Ousamos, sem receio, abrir-nos ao mundo, e quando fazemos bem, esse sucesso alimenta o sucesso", refere o dean.

Inovação e investimento
A atração de financiamento é, segundo o responsável, um dos desafios na gestão da Nova SBE. "Enquanto escola pública, não podemos ficar reféns do financiamento do Orçamento do Estado. A inovação e o propósito de endereçar os temas mais prementes que as sociedades e as organizações enfrentam, têm permitido, em cada ano, atrair financiamento para um vastíssimo leque de áreas de saber e de aplicação desse mesmo saber. Tendo consciência do peso financeiro que esta ambição acarreta, temos políticas muito fortes para assegurar o acesso de todos, nomeadamente dos setores mais desfavorecidos da nossa sociedade através do nosso programa de bolsas", explica.

A atração de empresas internacionais bem como de professores e alunos de outros países tem sido feita à boleia dos fatores de competitividade que a escola apresenta, aliados às vantagens do estilo de vida em Portugal.

"A afirmação crescente da Nova SBE entre as business schools europeias alavanca quatro fatores. Em primeiro lugar, a afirmação crescente da reputação e da produção científica do nosso corpo docente, cada vez mais internacional. Em segundo lugar, a proximidade com a realidade da economia e dos negócios em Portugal e na Europa, incluindo a presença crescente no campus de empresas e startups portuguesas e estrangeiras no ecossistema de Inovação. Em terceiro lugar, o caráter inovador com que abordamos o ensino, com uma oferta sempre dinâmica e sempre à frente das necessidades dos nossos alunos e participantes. Em quarto lugar, e talvez o mais importante, a experiência de aprendizagem única oferecida pelo nosso campus de Carcavelos, cuja reputação internacional precede hoje a da própria escola", assegura Daniel Traça.

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