DBRS: Turismo no sul da Europa recuperou mas Ómicron traz incertezas

"Depois de um ano desafiante em 2021, mas com a distribuição de vacinas e o relaxamento das restrições de viagens até aos últimos dias, o turismo internacional no sul da Europa deu sinais de recuperação", pode ler-se num relatório da DBRS Morningstar sobre turismo no sul da Europa.

Dinheiro Vivo/Lusa
DBRS: Turismo no sul da Europa recuperou mas Ómicron traz incertezas (Imagem de arquivo) © André Rolo/Global Imagens

A agência de notação financeira DBRS Morningstar considera que o turismo internacional no sul da Europa "deu sinais de recuperação" em 2021, mas alertou que a variante Ómicron traz "desafios" e "incertezas" para o futuro.

"Depois de um ano desafiante em 2021, mas com a distribuição de vacinas e o relaxamento das restrições de viagens até aos últimos dias, o turismo internacional no sul da Europa deu sinais de recuperação", pode ler-se num relatório divulgado esta quinta-feira pela DBRS Morningstar sobre turismo no sul da Europa.

A agência canadiana assinala que a recuperação "foi especialmente evidente durante o verão, quando os efeitos da emergência da variante Delta no início do ano passaram e as viagens abriram", notando ainda que "os últimos dados apontam para uma prestação forte também em outubro".

"O recente aumento em casos de covid-19 na Europa e a emergência da variante Ómicron colocam vários desafios e trazem incertezas para o turismo no próximo período de férias", sublinha ainda.

A empresa canadiana refere que o turismo estrangeiro "recuperou mais rapidamente na Grécia e em Chipre este ano, especialmente durante o final do verão, quando comparado com Espanha, Portugal e Malta".

A comparação entre países inverte-se quando o assunto passa a ser a variante Ómicron, apontando a DBRS que coloca riscos "em países com baixas taxas de vacinação, como Grécia e Chipre".

"As altas taxas de vacinação em Espanha, Malta e Portugal podem atuar como atenuante", escreve a DBRS, estimando ser "menos provável que reimponham estritas medidas restritivas domesticamente, evitando outro fecho do setor no resto do ano".

A DBRS assinala ainda que "os dados para Espanha, Malta e Portugal apontam para uma recuperação de cerca de 30% dos níveis de 2019 entre janeiro e setembro (de 2021)".

"O começo tardio da temporada, a maior percentagem de população vacinada e a situação epidemiológica relativamente boa tanto domesticamente como nos principais mercados emissores de turistas nos meses de verão, resultaram numa sólida retoma do setor do turismo em julho, agosto e setembro", pode ler-se no documento.

A DBRS assinala também que "os dados dos transporte aéreo na UE mostram uma melhoria significativa nos países do sul da Europa, comparando com a temporada do ano passado, indicando também uma forte recuperação em outubro".

A agência canadiana dá destaque ao turismo doméstico, relevando que "provou ser resiliente, compensando algumas das perdas do setor, especialmente em países como Itália e Espanha, onde o turismo doméstico representa altas percentagens do total do mercado turístico".

"De janeiro a setembro deste ano, as dormidas domésticas em Espanha e Portugal representaram cerca de 60% do total das dormidas, e 67% em Itália até agosto", assinala a agência sediada em Toronto.

O turismo no sul da Europa está conectado à prestação económica dos países, refere a DBRS, notando que, "depois de grandes quedas em 2020, as exportações de serviços de viagens atingiram, no período de julho a setembro, cerca de 71% e 70% do nível do mesmo período de 2019 na Grécia e em Itália, 62% em Portugal e 52% em Espanha".

"A DBRS Morningstar espera que o setor do turismo continue num caminho de recuperação em 2022, com a situação epidemiológica, não só na Europa mas mundialmente, a ter um papel importante", conclui o relatório.

A DBRS crê que a pandemia vai continuar a "colocar riscos ao turismo internacional, a menos que seja atingida uma elevada taxa de vacinação mundialmente".

"Perceções de uma ameaça de maiores restrições às viagens entre mercados da UE e não-UE podem estagnar a recuperação para o resto do ano, mas isto é mitigado pelo facto de a maioria dos fluxos turísticos serem intra-europeus", refere o texto.

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