Efacec: "Salários não estão em risco, nem a continuidade da empresa está em causa"

Empresa recusa comentar o processo de reprivatização em curso, mas acredita que "conseguirá atingir rapidamente indicadores de performance ajustados aos melhores referenciais de mercado".

Ilídia Pinto
Ângelo Ramalho, CEO da Efacec © Pedro Rocha / Global Imagens

A Efacec diz que os salários dos seus trabalhadores não estão em risco e que não tem qualquer intenção de avançar com processos de lay-off. Mais, a continuidade da empresa e do negócio "não está, nem nunca esteve, em causa".

Num esclarecimento, enviado ao Dinheiro Vivo, a empresa presidida por Ângelo Ramalho admite viver "momentos importantes e decisivos", mas acredita que, concluído que esteja o processo de reprivatização, "conseguirá atingir rapidamente indicadores de performance ajustados aos melhores referenciais de mercado".

Esta terça-feira, o jornal ECO dava conta da alegada degradação da situação da empresa, colocando em risco o processo de reprivatização. "Na última semana, a empresa liderada por Ângelo Ramalho reuniu com os dois candidatos à reprivatização, a Sodécia e a DST, no âmbito da terceira fase de negociação do processo, e comunicou números significativamente piores do que aqueles que serviram de base às propostas vinculativas já apresentadas. De resultados operacionais positivos, a Efacec já admite cerca de 20 milhões de prejuízo operacionais, isto é EBITDA negativo", avançava o jornal.

Recorde-se que a empresa fechou o primeiro semestre com um EBITDA negativo de 15,5 milhões de euros, valor confirmado por Ângelo Ramalho na entrevista que concedeu, em setembro, ao Jornal de Negócios, mas sublinhando que corresponde a menos de metade dos prejuízos verificados em igual período de 2020. Nessa entrevista, o CEO da Efacec dava conta das dificuldades da empresa no acesso a instrumentos financeiros.

No esclarecimento hoje emitido, não há qualquer referência a valores de EBITDA ou outros. A empresa diz apenas que as suas contas "estão legalmente aprovadas e foram alvo de apreciação positiva" pelo Revisor Oficial de Contas e "aprovadas unanimemente pelo conselho de administração". E sublinha que a gestão "mantém o seu foco e competência unicamente na execução do business plan desenhado e aprovado", tomando as decisões de gestão "que geram os melhores resultados no contexto que vivemos, apoiada pelo seu conselho de administração".

A Efacec garante ainda que não está a negociar qualquer hair-cut (vulgo perdão de dívidas) com os credores, "nem temos qualquer intenção de o fazer", sustenta.

A equipa liderada por Ângelo Ramalho recusa ainda, mais uma vez, pronunciar-se sobre o processo de reprivatização em curso, sublinhando que esse é um tema que diz respeito sobretudo ao seu acionista maioritário, a Parpública, pelo que "não tecerá qualquer comentário sobre o processo, os potenciais candidatos ou sobre qualquer decisão inerente". No entanto, frisa, "a continuidade da empresa e do negócio não está, nem nunca esteve, em causa" e os salários dos funcionários "não estão em risco", nem há intenção de avançar com processos de lay-off.

Por fim, o documento frisa que Ângelo Ramalho, presidente da comissão executiva e chairman da Efacec, "não colocou o seu lugar á disposição".

Questionada o Governo sobre a situação da Efacec, a Parpública responde que "a terceira fase de negociações, no âmbito do processo de reprivatização de 71,73% do capital social na Efacec Power Solutions, iniciou-se no passado dia 28 de setembro, com diversos encontros com os investidores interessados na aquisição da referida participação social, devendo as propostas finais ser recebidas dentro de cerca de três semanas".

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