Engie tem 50 milhões até 2025 para apoiar a transição energética das empresas em Portugal

O preço da eletricidade, no mercado grossista, aumentou mais de oito vezes em 2021 e chegou aos 400 euros o MWh, obrigando as empresas a encontrar formas de pouparem na sua fatura energética. O autoconsumo, com a instalação de painéis fotovoltaicos, é uma das soluções e o grupo Engie financia as centrais em contratos de longo prazo.

Ilídia Pinto
A José Maria da Fonseca foi o primeiro projeto financiado pela Engie Hemera. São 1.134 painéis fotovoltaicos que asseguram uma autonomia energética de 38% à empresas e evitam a emissão de 250 toneladas de CO2 por ano © Direitos Reservados
O diretor-geral da Engie Hemera, Duarte Sousa © Direitos Reservados

A Engie tem 50 milhões de euros para ajudar à transição energética das empresas portuguesas. O diretor-geral da Engie Hemera, a unidade do grupo que se dedica à instalação e operação de sistemas fotovoltaicos de média e grande dimensão, fala num "ambicioso plano de investimento", que pretende "aliviar a pressão" sobre as empresas, permitindo que estas se foquem no seu negócio core. O disparar dos preços da energia, com consequência no agravamento dos custos das empresas, faz que a procura por este tipo de soluções esteja a crescer.

Apesar da pandemia, e dos atrasos nas decisões de investimento que o contexto de incerteza trouxe, a Engie Portugal fechou 2021 com um volume de negócios de 45 milhões de euros, cinco milhões acima de 2019. E pretende chegar a 2025 com mais de 60 milhões de faturação, à boleia dos 50 milhões de investimento, que irão alavancar um crescimento de mais de 33% nos próximos quatro anos.

Só neste ano, a Engie Hemera instalou cerca de 10 MW de parques fotovoltaicos em empresas, incluindo o maior sistema de autoconsumo em Portugal, de 6 MW instalado na Renault, em Cacia. Mas este foi um investimento direto do construtor automóvel. Já o projeto da José Maria da Fonseca, onde a Engie Hemera instalou 1134 módulos fotovoltaicos, foi um investimento da Engie, ao abrigo destes 50 milhões de euros, e que permite à empresa de vinhos de Azeitão conseguir uma autonomia energética de 38% e evitar a emissão de 250 toneladas de CO2 ao ano.

O contrato é de longo prazo e permite às empresas ressarcirem a Engie por um valor mensal, "com custos muito inferiores aos que pagariam à rede". Mas há outros já em fase de construção, garante Duarte Sousa, em empresas de retalho e de indústrias agroalimentares. Em vista estão também as indústrias farmacêuticas, automóvel ou aeronáutica, com que a Engie já opera.

Dos 10 MW de potência instalada, cerca de 30% foram realizados por investimento da Engie, mas o objetivo é que, em 2025, essa parcela corresponda a 70%. "A maior parte do que temos agora foi instalada por venda direta, mas, com a escalada dos preços da eletricidade, em especial no segundo semestre de 2021, chegando a cotação no mercado ibérico em dezembro a ser de 400 euros o megawatt-hora, mais de oito vezes o valor de janeiro, há aqui um sentido de urgência das empresas para colmatar esta realidade", diz o gestor.

Se a isto juntarmos a subida dos preços do gás natural, das cotações do CO2, dos transportes e das matérias-primas, "estamos perante uma tempestade perfeita" que leva a um crescimento dos custos de produção e à perda de competitividade das empresas, "com risco de redução dos seus níveis de exportação e até com risco de se deslocalizarem para outras geografias".

Além disso, as empresas estão "pressionadas" pelo tema do combate às alterações climáticas, obrigadas que estão a cumprir as metas impostas pelos vários países, mas também pela vontade dos consumidores que querem comprar produtos e serviços a entidades sustentáveis. Por fim, há a questão do dinheiro. "A transição energética obriga a investimentos significativos e as empresas portuguesas têm alguma dificuldade em aceder ao financiamento bancário pelo que, conseguindo-o, preferem direcioná-lo para as suas atividades core", defende o diretor-geral da Engie Hemera.

O diretor-geral da Engie Hemera, Duarte Sousa © Direitos Reservados

Sendo o autoconsumo uma área de grande apetência, com muitas empresas a oferecerem os seus serviços, que mais-valia podem os industriais encontrar na escolha de um sistema da Engie Hemera? Duarte Sousa aponta a integração vertical do grupo Engie como a grande vantagem a ter em conta, a par dos "mais de 10 anos de experiência" no mercado. "Temos dentro da nossa estrutura o desenvolvimento das oportunidades, a construção, operação e manutenção. Tocamos em todos os elementos da fileira, criando valor em todos eles. E temos o capital disponível para o financiamento, o que permite rapidez de execução, agilizando as operações", sublinha.

Do lado do cliente, a vantagem é o sistema chave na mão que vai receber. "Sem qualquer necessidade de investimento, o cliente fica com uma central fotovoltaica que lhe assegura 20 a 40% das suas necessidades de consumo, com reduções de preço que podem rondar os 40 a 50%", diz o responsável. A duração dos contratos é negociada e podem rondar os 10, 15 ou 20 anos. No final do prazo o sistema passa integralmente para o cliente. "Os contratos são flexíveis, mas, claro, quanto maior for a duração do contrato, mais baixo será o valor a que conseguimos vender a energia ao cliente", frisa Duarte Sousa.

Mas os 50 milhões que a Engie tem para investir no mercado nacional não se esgotam nos sistemas de autoconsumo, embora se admita que estes terão um grande peso. A aposta é também em projetos de eficiência energética, na implementação de redes urbanas de frio e calor e na mobilidade elétrica, sempre que possível, com carregadores alimentados a instalações fotovoltaicas ou híbridas.

E a Engie conta já com mais de 550 postos de carregamento para viaturas elétricas em Portugal, além de explorar a única rede de frio e calor em espaço urbano, a rede do Parque das Nações, uma das maiores referências internacionais neste domínio, lembra o diretor comercial e de marketing da Engie Portugal. "Queremos ser líderes na transição para a neutralidade carbónica, que a pandemia atrasou, mas que agora ganha novo fôlego. Claro que a principal preocupação dos industriais é com a sua fatura energética, mas também com a sua imagem no mercado. Eles sentem a necessidade de ser "verdes"", frisa Miguel Mourão. Claro que, reconhece, de uma forma de outra, "tem que haver um racional económico nestas soluções".

O plano de investimentos arrancou em julho de 2021 e, até à data, estão já em operação, ou contratualizados e em fase de construção, projetos no valor de dois milhões de euros.

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