Inês Lima: "Ainda neste ano haverá notícias" para vegetarianos

Diretora-geral da McDonald's explica mudanças em curso. E declara: "Gostava que o McD fosse uma marca admirada pela qualidade na comida, pela aposta nas pessoas e pelo impacto que tem no país."

Joana Petiz
Inês Lima, diretora-geral da McDonalds Portugal. © André Luís Alves / Global Imagens

Ainda têm o estigma da fast food ou já passou a mensagem de que os ingredientes com que trabalham são frescos, naturais...?
O nosso primeiro objetivo é mostrar que os produtos têm elevada qualidade, ingredientes que usamos em casa: trabalhamos com 100% carne de vaca, alface e tomate alentejanos, são produtos reais. Penso que isso já se desmistificou há décadas e já somos conhecidos o suficiente - 70% dos portugueses já foram ao McD. Somos fast food porque somos rápidos e consistentes na entrega, mas na qualidade da comida já não há dúvidas.

Há hoje mais procura por produtos vegetarianos? Responder a esses clientes é uma prioridade?
Temos um produto vegetariano em Portugal, mas mundialmente correm vários pilotos e há oferta a chegar. Aqui também temos as sopas, um exclusivo de Portugal, as saladas... e temos peixe, frango, etc., porque a nossa filosofia é dar variedade e informação para o consumidor escolher o que serve as suas necessidades. Sendo muitos dos nossos consumidores jovens, achamos essa literacia muito importante, é uma oportunidade para aprenderem o valor nutricional da comida. Em simultâneo, vamos acompanhando vontades, fazemos estudos de consumidor e quando o nosso cliente estiver preparado adaptamos a oferta.

Há novidades a caminho?
Em breve haverá notícias... Ainda neste ano. Gostamos de ter esse dinamismo e sobretudo apostamos na variedade, porque não queremos deixar ninguém de fora. Se vem um grupo de amigos, queremos que cada um deles tenha aqui uma boa experiência.

Já conseguiram contratar os 2500 colaboradores que procuravam para o verão?
A maioria. Temos 9 mil pessoas connosco - em alguns sítios é mais difícil, como o Algarve ou regiões mais interiores, onde há menos jovens -, mas o que é verdadeiramente complicado é encontrar quem trabalhe em horários noturnos, ao fim de semana... Muitos repensaram a sua vida em pandemia e estão menos disponíveis nesses horários. E hoje o consumidor quer jantar às 19.00 ou às 2.00.

Qual é a idade média dos trabalhadores da McD cá?
Uns 60% têm 16 a 25 anos, os gestores andam nos 30. É uma equipa muito jovem. E há muitos part-times enquanto estudam, primeiros empregos... Gostamos disso, até porque em Portugal não há grandes oportunidades a esse nível, com essa flexibilidade. Sentimos que podemos acrescentar ao CV deles, independentemente da carreira que sigam depois.

E há progressão na carreira e uma boa retenção?
Metade dos nossos colaboradores do escritório começou num restaurante, estudou e subiu - há até portugueses em posições relevantes nos EUA. Há carreiras mesmo dentro dos restaurantes. Temos uma base de equipa estável que está connosco, em funções de responsabilidade, alguns há dez ou 20 anos, e o resto vai rodando mais, até pelos picos (verão, Natal, jovens que terminam os estudos e deixam o part-time...). As nossas pessoas reconheceram o esforço de aumento de salários e ficaram menos tentadas a sair. Estarmos num patamar de entrada um pouco acima do SMN ajuda, mas é só uma componente; os jovens valorizam muito, por exemplo, a formação. Nós, além de darmos milhares de horas de formação interna, damos 200 bolsas por ano a quem quer continuar a estudar. Mas a retenção é um desafio diário, claro.

O que quer fazer ainda com o McDonald"s em Portugal?
Gostava que fosse uma marca admirada pela qualidade na comida, pela aposta nas pessoas e pelo impacto que tem em Portugal. Gostava que qualquer pessoa na rua nos descrevesse assim.

Mais Notícias

Veja Também

Outros Conteúdos GMG