Lucros da EDP cresceram 9% no primeiro semestre para 343 milhões

Excluindo efeitos não recorrentes, os resultados recuaram 15% para 326 milhões de euros,

Dinheiro Vivo/Lusa
Miguel Stilwell de Andrade, CEO da EDP © EDP

Os lucros da EDP cresceram, no primeiro semestre deste ano, 9%, atingindo 343 milhões de euros, um resultado que, excluindo efeitos não recorrentes, diminui 15% para 326 milhões de euros, segundo um comunicado ao mercado.

Na nota, publicada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a EDP informa assim que o seu resultado líquido "atingiu os 343 milhões de euros, um aumento de 9% em termos homólogos" e que "excluindo efeitos não recorrentes o resultado líquido diminui 15% no 1S21 para 326 milhões de euros".

"O desempenho do semestre foi marcado pela positiva pela integração da Viesgo em Espanha e crescimento de resultados das redes no Brasil, tendo sido penalizado pela subida dos custos de compra de energia no mercado ibérico e por recursos eólicos abaixo da média nos EUA", justificou a EDP.

O grupo referiu que nos últimos 12 meses "instalou +2,1 GW de capacidade eólica e solar, expandindo a sua presença em novos mercados", sendo que no primeiro semestre deste ano "81% da produção de eletricidade teve origem em energias renováveis", numa altura em que "a capacidade instalada de carvão diminui 37% em termos homólogos, acelerando o contributo para a descarbonização".

Por outro lado, "o investimento bruto aumentou 29% para 1,6 mil milhões de euros no 1S21, dos quais 95% alocados a energias renováveis e redes de eletricidade, atividades alinhadas com a transição energética", vincou a EDP.

No que diz respeito às vendas e prestações de serviços do primeiro semestre deste ano, a EDP registou 6,083 mil milhões de euros, uma redução de 2% em relação a igual período de 2020.

Por sua vez, o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) recorrente caiu 6% para 1,678 mil milhões de euros no primeiro semestre deste ano, sendo que, de acordo com a EDP, "excluindo variações cambiais, esta redução foi de apenas -1%".

No segmento das renováveis, informou o grupo, o EBITDA recorrente baixou 7% para 1,007 milhões de euros, "impactado pela queda na atividade nos EUA, penalizada pela produção eólica abaixo da média" e pela perda de perto de 35 milhões de euros "no mercado do ERCOT no Texas" associados aos efeitos do vórtice polar "que afetou a região central dos EUA em fevereiro".

Além disso, de acordo com a elétrica, as restrições provocadas pela covid-19 no último ano "e as condições climatéricas adversas contribuíram para atrasos na construção de alguns projetos renováveis nos EUA com entrada prevista na primeira parte deste ano, os quais entraram em operação já no final do 1S21", sendo que "o desempenho acima da média da produção hídrica no mercado Ibérico mitigou parte do impacto negativo".

Já no segmento de redes de eletricidade, o EBITDA recorrente do "apresentou um forte crescimento de +33% para 587 milhões de euros, no primeiro semestre de integração da Viesgo".

"A eletricidade distribuída nas três geografias em que estamos presentes aumentou +14% em termos homólogos, em particular devido a uma recuperação do setor industrial em todos os mercados", disse a EDP, que destacou ainda "o forte crescimento das redes de eletricidade no Brasil, apoiado não só pela recuperação do consumo de eletricidade na distribuição (+10% em termos homólogos), mas também pela execução de investimentos de expansão na transmissão e atualização à inflação das receitas reguladas, que mais do que compensou a desvalorização de 17% do real brasileiro face ao período homólogo".

Por fim, o segmento de comercialização e gestão de energia registou nos primeiros seis meses deste ano "um EBITDA recorrente de 82 milhões de euros, -71%, penalizado pela forte subida dos preços de energia nos mercados grossistas, sobretudo no 2T21 , que implicou um forte aumento dos custos de produção e compra de energia, assim como um impacto 'mark-to-market' negativo nos contratos de cobertura de risco".

De acordo com a EDP, "em junho, a dívida líquida totalizava 13,2 mil milhões de euros, impactada pela aceleração do investimento, sobretudo em renováveis e redes, no seguimento do plano estratégico apresentado no início do ano, assim como pelo aumento do investimento em fundo de maneio resultante da otimização da gestão de tesouraria num contexto de elevada liquidez financeira e baixas taxas de juro de curto prazo".

A EDP referiu ainda que o programa de rotação de ativos já tem assegurado cerca "de 25% do objetivo de oito mil milhões de euros previsto até 2025".

No primeiro semestre deste ano, a EDP contava com 12.147 colaboradores, um aumento de 4% em relação ao período homólogo.

Para este ano, o grupo mantém a expectativa de atingir um EBITDA recorrente de 3,7 mil milhões de euros, um resultado líquido recorrente acima de 800 milhões de euros e dívida líquida entre 11,0 mil milhões de euros e 11,5 mil milhões de euros, "mantendo o foco na entrega de resultados e na execução" do "plano estratégico 2021-2025".

(Atualizada às 19h20 com mais informação)

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