Lucros da EDP subiram 23% para 180 milhões no primeiro trimestre

Efeitos cambiais levaram a uma quebra de 8% do EBITDA recorrente, que baixou para 844 milhões de euros. As renováveis asseguraram 85% da eletricidade produzida nos primeiros três meses do ano

Ilídia Pinto
Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP © EDP

A EDP fechou o primeiro trimestre com resultados líquidos de 180 milhões de euros, o que representa um aumento de 23% face ao período homólogo. Excluindo efeitos não recorrentes, o crescimento foi de 6% para 159 milhões.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a empresa liderada por Miguel Stilwell dá conta que o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado caiu 12% para 864 milhões de euros. Já o EBITDA recorrente, deduzidos os ganhos não recorrentes relativos a vendas de ativos, caiu 8% para 844 milhões de euros, por efeito de variações cambiais. Excluídas esta, manteve-se em linha com o primeiro trimestre do ano passado.

Dos 16,6 TWh (Terawatt-hora) de eletricidade produzidos nos primeiros três meses do ano, 85% foram gerados por fontes renováveis, o que permitiu reduzir em 9% as emissões de CO2 em termos homólogos. A subida da produção hídrica na Península Ibérica compensou, parcialmente, a queda da produção eólica nos EUA e os efeitos do mau tempo no Texas, em fevereiro, que custou à EDP 35 milhões de euros. Ainda assim, o EBITDA recorrente do segmento de renováveis (deduzido do impacto de 56 milhões de euros, no primeiro trimestre de 2020, da venda das seis barragens da EDP no bacia hidrográfica do Douro à Engie) baixou 10% para 445 milhões.

No negócio de redes, a EDP registou um "forte crescimento" de 31% para 310 milhões de euros, fruto da integração da Viesgo em Espanha, mas, também, da performance no mercado brasileiro, apoiada numa recuperação do consumo de eletricidade na distribuição, na execução de investimento de expansão na transmissão e na atualização à inflação das receitas reguladas, que "mais do que compensou a desvalorização de 26% do Real Brasileiro face ao período homólogo".

Em contrapartida, no segmento de comercialização e gestão de energia obteve um EBITDA recorrente de 86 milhões, 55% abaixo do "desempenho excecional do primeiro trimestre de 2020, mas em linha com a média dos três trimestres anterior", destaca o comunicado. Lembra a EDP que, a produção térmica, a comparação homóloga está penalizada pelo encerramento da central de Sines, no final de 2020. "Na comercialização de energia, a recuperação do EBITDA foi suportada, sobretudo, pelo aumento da taxa de penetração de novos serviços", explica a empresa, que cresceu quatro pontos percentuais para 29%. Em causa está a venda de painéis solares, soluções de eficiência energética e de mobilidade elétrica, entre outros.

O investimento consolidado cresceu 35% para 576 milhões de euros, 93% dos quais dedicados aos segmentos de renováveis e de redes de eletricidade. O investimento em expansão representou 81% do total investido no período, ou seja 464 milhões de euros, um aumento de 36%. Já o investimento operacional de manutenção totalizou 111 milhões, um acréscimo homólogo de 32%.

No final do trimestre, a dívida líquida da EDP era de 13.148 milhões, o que representa um aumento de 7% face ao período homólogo. Explica a empresa que a dívida foi "impactada por um aumento do investimento no fundo de maneio resultante da otimização da gestão de tesouraria num contexto de elevada liquidez financeira e baixas taxas de juro de curto prazo".

No comunicado, a empresa explica, ainda, que procedeu ao pagamento do dividendo de 19 cêntimos por ação, a 26 de abril, referente ao exercício de 2020, adiantando, ainda, que o montante pago em dividendos aumentou 9%, para 753 milhões de euros, em resultado da emissão de novas ações decorrentes do aumento de capital realizado em agosto de 2020.

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