Miguel Maya: Saída de trabalhadores "não tem nada a ver com a pandemia"

O presidente executivo do Millennium bcp foi esta quinta-feira ouvido no parlamento acerca do processo de despedimentos em curso.

Elisabete Tavares
O CEO do banco Millennium BCP, Miguel Maya, durante a conferência de imprensa de divulgação dos resultados do 1.º trimestre de 2021 da instituíção bancária, na sede do Tagus Park em Oeiras, 17 de maio de 2021. TIAGO PETINGA/LUSA © LUSA

O presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, afirmou esta quinta-feira que o programa de redução de pessoal em curso no banco "não tem nada a ver com a pandemia".

"Tem muito a ver com as transformações estruturais que se estão a verificar no setor financeiro", salientou o CEO do BCP, numa audição que decorreu esta tarde na Comissão de Trabalho e Segurança Social.

O BCP tem em curso um processo que envolve a saída de entre 800 e 900 trabalhadores do banco, sendo que o banco admite a possibilidade de vir a recorrer ao despedimento coletivo.

O CEO do BCP frisou que, no último ano e meio, foram aceleradas muitas tendências no setor da banca, que só se esperava que se desenrolassem num período de quatro a cinco anos, exemplificando com o caso do maior acesso de clientes a serviços digitais e também na adaptação tecnológica do negócio ao trabalho.

Disse ainda que houve "um conjunto vasto de operadores que entraram dentro do sistema financeiro". Lembrou que, a pressionar o setor, está ainda o facto de a crise económica levar a que as taxas de juro se mantenham "reduzidas por um período mais longo de tempo".

Além de outros motivos, destacou também que o banco transferiu 450 milhões de euros para o Fundo de Resolução nos últimos anos, sendo que só no último trimestre o valor pago chegou a 56 milhões de euros, o que afeta a capacidade dos bancos com sede em Portugal de serem competitivos.

"Deem-nos condições para poder competir com as mesmas regras com os outros bancos", pediu.

Destacou que os bancos também estão impossibilitados de "cobrar aos maiores depositantes", enquanto em outros países europeus essa possibilidade é permitida.

O CEO do BCP indicou que, se os bancos em Portugal não forem ajudados, "sem favor", a conseguirem competir no espaço europeu, "dentro de três a quatro anos o que temos é consolidação". "O que teremos é, mais uma vez, menos bancos com sede em Portugal", alertou.

Atualizada às 15H19 com mais informação

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