Na ex-refinaria de Matosinhos há solução para empresas baixarem poluição das frotas

GoWithFlow tem a Galp como maior acionista e criou uma plataforma para lidar com toda a complexidade dos automóveis sem emissões.

Diogo Ferreira Nunes
Jane Hoffer (à direita) lidera a GoWithFlow, com André Dias como CTO. © André Rolo/GI

Parece mais um edifício cinzento com dois andares como tantos outros na antiga refinaria de Matosinhos. Mas perto de uma das entradas está instalada, no rés-do-chão, a GoWithFlow. A tecnológica criou uma plataforma para entidades que gerem frotas, como empresas e municípios, poderem entrar no mundo dos carros com baixas emissões sem lidarem com as complicações nos consumos e a ansiedade de encontrar um carregador.

"As empresas que acabaram de aderir à mobilidade elétrica estão a começar a sofrer as dores da transição. Têm de lidar com diferentes tipos de veículos: ao mesmo tempo que verificam os consumos de eletricidade têm de perceber quanto estão a gastar de gasolina ou gasóleo. É uma passagem de um ambiente muito simples para um universo complexo, com grandes desafios, onde a nossa ajuda é necessária", explica ao Dinheiro Vivo a líder da tecnológica, Jane Hoffer.

Com a solução portuguesa, as gestoras de frotas podem perceber, por exemplo, como tirar melhor partido dos híbridos plug-in, que combinam o motor de combustão interna com uma tomada exterior de carregamento. A solução também inclui os carros totalmente elétricos.

"Num grupo de carros, poderemos ter um plug-in a gastar 100 ou 150 euros por mês e outra a custar 20. As empresas precisam de perceber o que se passa: há condutores que limitam-se a pôr gasolina ou gasóleo enquanto outros esforçam-se por conduzir com o modo elétrico", exemplifica o responsável tecnológico, André Dias, junto a uma mão cheia de carregadores.

A GoWithFlow criou uma plataforma de gestão da mobilidade sustentável, que combina dados de veículos em tempo real com a análise a partir da inteligência artificial. Juntando os dois elementos, a tecnológica disponibiliza cinco opções para as empresas lidarem com a transformação da mobilidade.

Para começar, pode ser definido um plano para utilizar a frota da maneira mais sustentável possível. Na etapa seguinte, fazem-se as contas para perceber como é que uma empresa pode rentabilizar os próprios postos de carregamento.

No passo três, entra em cena a ferramenta de gestão de frota, que vai medir a redução das emissões de dióxido de carbono. Neste cenário, também podem ser incluídas opções de partilha de veículos entre os funcionários, assim como meios de transporte como trotinetas e bicicletas.

Caso seja necessário, as empresas também podem combinar os veículos que têm na garagem com outras opções de deslocações. Transportes públicos, carros partilhados táxis, TVDE e serviços a pedido são algumas opções que podem complementar a frota disponível em determinados momentos.

A tecnologia nascida a partir de Matosinhos também permite aos clientes criarem programas de fidelização, podendo gerir pagamentos, faturação e perfis de utilizadores para que o negócio seja rentável.

Além de Portugal, a GoWithFlow também conta com escritórios para as equipas de vendas em Espanha e no Reino Unido. Ajudar as empresas e gestoras de frota de todo o mundo a aderirem à nova realidade das deslocações é a principal missão para os próximos anos.

A antiga refinaria alberga os perto de 70 elementos da empresa. O espaço foi cedido pela Galp, que tornou-se a maior acionista do projeto no final de 2019, depois de quase dois anos de negociações com o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA). Mais do que uma petrolífera, a companhia quer afirmar-se como uma verdadeira energética e reduzir a pegada carbónica.

A GoWithFlow quer aproveitar a diminuição da atividade da empresa e apresentou um plano para montar um laboratório: "Queremos criar um ambiente de testes e de demonstração, aproveitando o parque de estacionamento. Poderemos criar protótipos e mostrar casos de utilizadores", revela André Dias.

Também está na mira da tecnológica ocupar o segundo andar do edifício cinzento. Resta saber quais serão os planos da Galp para o complexo de Matosinhos, também ele a braços com uma transição que o governo desejaria justa.

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