António Carlos Rodrigues. "Objetivo é fazer dez hotéis em Espanha nos próximos 4 anos"

Nos anos difíceis da pandemia, o grupo Casais reforçou a sua internacionalização com a entrada em Espanha e no Gana, marcando agora presença em 17 mercados.

Sónia Santos Pereira
António Carlos Rodrigues, CEO do grupo Casais. © André Vidigal/Global Imagens

O grupo Casais, liderado por António Carlos Rodrigues, vai avançar com hotéis B&B em Espanha, num investimento inicial de 10 milhões. No Gana, a aposta é na construção de hospitais. Pretextos para uma entrevista ao CEO da construtura.

O grupo decidiu ir para Espanha, um mercado difícil. Por que decidiram dar esse passo?
A constituição da empresa em Espanha é anterior à pandemia, mas com a covid adiámos um pouco essa iniciativa. O que nos leva a Espanha é o modelo de negócio com que estamos a trabalhar cá, a industrialização da construção. Torna-se muito mais simples, apesar de não ser simples entrar na construção em Espanha. É uma oportunidade que assenta na parceria que fizemos com os hotéis B&B. O nosso conhecimento do produto - já fizemos e estamos a fazer aqui em Portugal - e da tipologia dos projetos abriu-nos a porta para começarmos a fazer também este tipo de investimentos em Espanha. Estamos agora a iniciar o processo para a construção, que vai levar também um pouco desta nossa capacidade industrial.

Os hotéis terão como base a construção off-site?
Sim. Pela primeira vez estamos a falar em fabricar produtos e componentes de construção em Portugal, não estou só a falar de caixas de cerâmicos e de louças sanitárias, todos esses produtos já eram exportáveis há muito tempo, mas levar produtos mais compostos - paredes e casas de banho inteiras -, para montar em edifícios que vamos construir em Espanha. Pensar esta abordagem era difícil sem uma forte aposta na digitalização, na industrialização e num trabalho muito colaborativo com o cliente. É um trabalho muito grande na fase de projeto e de elaboração, mas que depois facilita todo o processo de montagem. Passamos a ter um processo de mais assemblagem, que está a ser feito em Portugal e agora será em Espanha, e amanhã pode ser em França, Bélgica, Alemanha. Estamos num processo de reforço da nossa internacionalização, mas de valor acrescentado. É desta forma que estamos a entrar em Espanha.

Quantos hotéis B&B vão construir em Espanha?
O nosso objetivo é fazer uns dez hotéis em Espanha nos próximos quatro anos. Neste momento, já temos identificadas três, quatro localizações e estamos a trabalhar para este ano termos cinco. O investimento direto nos primeiros quatro é de 10 milhões, mais financiamento. É como fizemos em Portugal, onde temos cinco hotéis em várias fases. Em Espanha, identificámos localizações em Madrid, na costa do Mediterrâneo... Não há qualquer limitação nas localizações. O projeto permite esta flexibilidade.

Em Portugal, o terreno é vosso, fazem o investimento na construção e a gestão é da B&B. Em Espanha, o modelo é o mesmo?
Mais ou menos. O mercado e os investidores reconheceram em nós uma capacidade de execução. Mostrámos que conseguimos fazer os hotéis de forma rápida e bons produtos - o Montijo já está concluído e a funcionar; Oeiras está a andar rápido, o de Gaia já está em construção, ontem lançámos a primeira pedra do de Guimarães. Espanha é um mercado de capitais muito mais robusto do que o nosso, existem muitos mais players e investidores, de maneira que já não temos de assumir esse papel de investidores como tivemos inicialmente de fazê-lo aqui. Já conseguimos trazer para dentro mais um elemento, que é o investidor, o que dá uma capacidade mais rápida de rotação de investimento em mais projetos. Não está assumido que seja sempre o mesmo investidor, depende da quantidade de projetos, das localizações e tipologia.

Nestes tempos de pandemia também entraram no Gana. Há muitas oportunidades?
A aposta vem da especialização que temos da área da saúde. Fizemos muitos hospitais em Portugal, até que se deixou de investir. Retomámos com o Hospital de S. João, que foi um projeto exemplar, com todas as dificuldades da covid, de ser um hospital dentro de um hospital, a funcionar enquanto estávamos a fazer a obra. O hospital que estamos a construir em Angola também ajudou a retomar muita dessa competência. O Gana surge neste contexto. O país tem um programa de construção de muitos hospitais e nós apresentámos propostas para duas localizações, que nos foram atribuídas. Há outros projetos e poderá até haver a possibilidade de podermos avançar com outros mais.

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