Portuguesa Power Dot capta 150 milhões para expandir operação

Empresa que gere pontos de carregamento de elétricos em seis países da Europa tem acordo com fundo Antin Infrastructure Partners.

José Varela Rodrigues
Bomba da Power Dot para carregamento de veículos elétricos. © Pedro Correia/Global Imagens

A Power Dot fechou um acordo com a Antin Infrastructure Partners, um fundo franco-britânico dedicado a investimentos em infraestruturas, garantindo 150 milhões de euros para investir no crescimento da rede de pontos de carregamento de veículos elétricos, até aos 27.500 pontos em seis países, e no recrutamento de mais trabalhadores até 2030. O contrato é assinado esta quarta-feira, sabe o Dinheiro Vivo.

A Power Dot foi criada há quase quatro anos e dedica-se a instalar e gerir gratuitamente carregadores para veículos elétricos em parques de estacionamento de centros comerciais, de supermercados e hotéis, bem como hospitais. O novo acordo "é fundamental" para manter esta estratégia "totalmente gratuita para os parceiros de negócio", segundo explicou Luís Santiago Pinto, presidente executivo da Power Dot.

"A Antin Infrastructure Partners é um dos maiores investidores de infraestrutura a nível global e este volume de investimento um dos maiores negócios do setor a nível global", enquadrou o gestor, indicando que os 150 milhões captados vão permitir "reforçar o posicionamento" da Power Dot enquanto fornecedor de carregamento "ideal para os proprietários de veículos e parceiro de negócio certo para os proprietários dos parques".

Isto significa aumentar a rede de parceiros e de carregadores. O objetivo é alcançar 14 mil pontos de carregamento até 2025, atingindo uma rede global de 27.500 carregadores disponíveis em 2030, de acordo com o Luís Santiago Pinto. Ao mesmo tempo a empresa vai recrutar mais recursos humanos.

"O crescimento da rede implica obrigatoriamente um crescimento da equipa em todos os mercados onde operamos. Neste momento, temos 36 vagas abertas, para cargos como engenheiro de software, operações e parcerias e vamos continuar a recrutar", revelou. Estes irão juntar-se aos atuais 50 trabalhadores diretos da empresa.

O negócio com a Antin é, assim, o novo "foco" da empresa portuguesa, com o gestor máximo a realçar: "Estamos sempre disponíveis para bons negócios porque a mobilidade elétrica é uma realidade cada vez mais presente no dia a dia e queremos continuar a crescer no futuro".

Atualmente, os carregadores da Power Dot podem ser encontrados em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Polónia. Nestes seis mercados a empresa tem escritórios.

"Nestes mercados temos 5000 pontos de carregamento em operação e construção, dos quais 1100 em Portugal, o país onde temos o maior número de carregadores instalados. Mas, se considerarmos os equipamentos que estão em instalação, os mercados francês e polaco já superam o nacional", sublinhou.

O volume de negócios gerado pela Power Dot não é conhecido, nem o CEO o revelou ao Dinheiro Vivo "por motivos estratégicos". Todavia, Luís Santiago Pinto assegurou que "já se realizaram mais de 450.000 sessões de carregamento, por mais de 50.000 utilizadores únicos" nos postos de carregamento da Power Dot.

Para Luís Santiago Pinto o modelo de negócio da Power Dot está "comprovado desde o início, quer pelo interesse dos retalhistas, quer pela utilização que é dada aos carregadores". Isto fechando acordos sempre alinhados com "uma visão e modelo de negócio inovador e com a convicção que ter um carro elétrico é muito mais eficiente do que ter um carro a gasolina".

"Somos hoje em dia uma das maiores empresas do setor a nível Europeu e o maior operador de carregadores para veículos elétricos português", defendeu o gestor.

De acordo com O CEO da Power Dot, "mesmo com todos os problemas na cadeia de fornecimento de materiais", desde agosto de 2021 que "a quota mensal de mercado de veículos elétricos se mantém acima dos 20%".

"Os últimos dados, de março de 2022, revelam um crescimento de 22,39% na venda de veículos elétricos, tendo o valor para os veículos a gasóleo sido de 16,21%", acrescentou o gestor, realçando que os números de 2022 já superam os do ano anterior.

"Se compararmos os valores homólogos de março, em 2021 foram vendidos 2128 veículos, e em 2022 os valores já se situam nos 3186 veículos", disse. E argumentou que isso se deve "à maior consciencialização ambiental", mas também porque "soluções mais sustentáveis" são mais "baratas" na hora de atestar. "A rede de carregadores é cada vez mais vasta, dando a confiança necessária aos proprietários para optarem por um veículo elétrico" justificou.

Ainda assim, há trabalho por fazer nesta área uma vez que o setor pode vir a ser "ainda mais atrativo". Atratividade, essa, que "poderia começar por mais e melhores incentivos para os utilizadores particulares optarem pela compra de veículos elétricos, uma vez que a diferença no investimento inicial ainda é relevante", concluiu o CEO da Power Dot.

De acordo com o site da Antin, este fundo que fechou contrato com a Power Dot tem sede no Luxemburgo e escritórios em Paris, Londres e Nova Iorque. Gere 22 biliões de euros em investimentos, prometendo bom retorno a quem investir no portfólio. Este não será o primeiro negócio da Antin em Portugal, que já é dona da Indaqua através do grupo Myia (de origem israelita).

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