Prejuízos da TAP baixam para 121,6 milhões de euros no 1.º trimestre

"A atividade apresentou melhorias significativas quando comparada com o primeiro trimestre de 2021", afirma a transportadora aérea em nota publicada na CMVM.

Dinheiro Vivo/Lusa
TAP Air Portugal no aeroporto Francisco Sá Carneiro (Imagem de arquivo) (Leonel de Castro/Global Imagens) © Leonel de Castro/Global Imagens

Os prejuízos da TAP S.A. reduziram-se no primeiro trimestre deste ano para 121,6 milhões de euros, face ao valor negativo de 365,1 milhões de euros obtido em igual período do ano passado, indicou esta sexta-feira a transportadora, em comunicado.

Na nota, publicada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a TAP referiu que "o resultado líquido registou uma melhoria material quando comparado com o 1T21

, com a perda líquida a diminuir 66,7% para -121,6 milhões de euros, apesar do impacto líquido negativo das diferenças cambiais de 14,7 milhões de euros, em resultado da depreciação do EUR

face ao USD

, com um forte impacto nas rendas futuras e, portanto, 'non-cash' neste período, parcialmente compensado pela valorização dos 'recebíveis' do Brasil, por via da apreciação do BRL face ao EUR".

De acordo com a TAP, no trimestre, "os principais indicadores operacionais ficaram moderadamente abaixo dos níveis do trimestre anterior (4T21), o que é explicado pela sazonalidade da indústria da aviação - o 1T é tipicamente o trimestre mais fraco".

Ainda assim, referiu, "a atividade apresentou melhorias significativas quando comparada com o primeiro trimestre de 2021 e demonstrou que a empresa está a retomar os níveis operacionais pré-pandémicos de 2019 de forma consistente e progressiva".

Neste contexto, "o número de passageiros transportados aumentou mais de 5x no 1T22, em comparação com o mesmo período de 2021, progressivamente alcançando 62% dos níveis do 1T19 e refletindo a contínua recuperação da procura. Adicionalmente, durante este período, a TAP operou 3x mais voos do que no 1T21, o equivalente a 68% das partidas do 1T19", destacou.

No mesmo comunicado, a TAP revelou que "os custos não recorrentes, relacionados com a reorganização do grupo, tiveram um impacto de 15,5 milhões de euros nos resultados", mas que, "mesmo considerando o impacto negativo destes custos", a transportadora "conseguiu gerar um EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) positivo de 58,1 milhões de euros, no primeiro trimestre, superando os níveis do 1T19 em cerca de 55 milhões de euros".

A companhia tinha, no final do trimestre, 6.698 trabalhadores no ativo, menos 11% do que no período homólogo, de acordo com os dados hoje divulgados.

A TAP revelou ainda que, "apesar de ter diminuído 12,7% em comparação com o trimestre anterior, as receitas operacionais foram 3x superiores às do mesmo período de 2021, aumentando em 340,7 milhões de euros para 490,6 milhões de euros", o que representa "80% das receitas operacionais do 1T19", destacou.

De acordo com a transportadora, "este valor foi em grande parte suportado pelo desempenho do segmento de receitas de passageiros, que apresentou um crescimento de 326,1 milhões de euros" face ao primeiro trimestre de 2021.

Por sua vez, os segmentos de carga e de manutenção "continuam a contribuir de forma significativa para a recuperação das receitas, aumentando em 45,3% e 37,5%, respetivamente, quando comparado com o 1T21", destacou a transportadora.

Quanto aos custos operacionais recorrentes, foram de 537,1 milhões de euros, "diminuindo 9,4% em comparação com o trimestre anterior", sendo que "o aumento de 42,2% em relação ao 1T21 reflete o aumento dos níveis de atividade".

Por outro lado, indicou, em comparação com o mesmo período de 2019, "os custos operacionais recorrentes foram 24,7% mais baixos, espelhando as bem-sucedidas medidas de reestruturação e de redução de custos estruturais implementadas".

A TAP transportou, entre janeiro e março, 2,1 milhões de passageiros, um valor inferior em 12,3% ao último trimestre de 2021, pelo efeito da sazonalidade, mas tendo mais do que quintuplicado em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o comunicado.

"No primeiro trimestre assistimos a uma clara recuperação da procura, com as reservas atuais a levarem-nos a ser cautelosamente otimistas para a época de verão. Os progressos significativos na execução do nosso plano de reestruturação permitiram-nos gerar um EBITDA positivo, que se mostrou superior ao nível pré-crise pandémica no primeiro trimestre de 2019. Esta é uma conquista relevante, mas ainda frágil", disse Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da TAP, citada na mesma nota.

"Estamos cientes do longo caminho, repleto de desafios, que temos pela frente. O esperado aumento da capacidade no verão trará, provavelmente, desafios operacionais para toda a indústria, incluindo fornecedores de infraestruturas, tais como aeroportos, controlo de tráfego aéreo, serviços em terra ou controlo de fronteiras, uma vez que alguns já enfrentam dificuldades para lidar com os níveis de atividade mais elevados", indicou, apontando ainda "os preços de combustível mais elevados".

Isto "significa que não podemos descansar e que devemos manter-nos focados em melhorar a nossa estrutura de custos de forma sustentável", rematou a gestora.

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