Presidente da CP demite-se e sai do cargo no final da semana

Nuno Freitas sai antes do final do mandato depois de ter recuperado material que esteve encostado mais de uma década e de ter evitado supressões.

Diogo Ferreira Nunes
Presidente da CP, Nuno Freitas, durante a inauguração das oficinas de Guifões, em janeiro de 2020. © Arquivo/Global Imagens

A CP vai mudar de presidente no final desta semana. Nuno Freitas apresentou esta terça-feira a sua demissão e sai na sexta-feira, 1 de outubro. Pedro Moreira, o até agora vice-presidente, vai ocupar interinamente o lugar de topo na transportadora ferroviária.

"Desde o início que o meu compromisso nesta missão contemplava apenas um mandato e, concluído o trabalho a que me propus, solicitei a antecipação do fim desse mandato em três meses. Depois de expor pessoalmente a minha vontade e razões ao Senhor Ministro, obtive o seu acordo para antecipação da minha saída", explicou Nuno Freitas através de um comunicado interno a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Nuno Freitas foi nomeado presidente da CP em julho de 2019, com a missão de executar o plano de recuperação da CP, que estava em risco de ficar sem material circulante para realizar o serviço público de transporte de passageiros.

A recuperação de material circulante que esteve encostado durante vários anos e a reabertura da oficina de Guifões, em janeiro de 2020, foram dois dos marcos do ainda presidente da CP. Também foi com Nuno Freitas que a transportadora passou a ter um contrato de serviço público com o Estado, em execução desde junho de 2020.

No comunicado de saída, Nuno Freitas destaca o "envolvimento e esforço pessoal do ministro Pedro Nuno Santos em diversas matérias, cuja ação foi determinante para alcançarmos aquilo que era expectável alcançar". O dirigente salienta ainda o "imenso orgulho nos trabalhadores da CP", considerados "dos melhores profissionais com quem tive o gosto de trabalhar".

O trabalho de Nuno Freitas foi sobretudo condicionado pelo ministério das Finanças, que também tutela a CP. Exemplo disso é o atraso na execução da reestruturação da dívida da transportadora, de 2,1 mil milhões de euros, e que impede que a sua autonomia financeira.

"Uma empresa desta dimensão e complexidade tem de estar constantemente a pedir autorizações de despesa para vários anos", lamentou Nuno Freitas em janeiro, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

As críticas à tutela vão ainda mais longe. Ao jornal Público, Nuno Freitas queixa-se das dificuldades impostas pela burocracia na gestão pública "que acabam por dificultar o trabalho, impedindo que o mesmo se faça de forma eficiente e eficaz".

Pedro Moreira irá ocupar interinamente a presidência da CP. Em abril, o dirigente apelou à reestruturação da dívida da empresa: "Se não o fizermos, a CP não conseguirá dar resposta à concorrência que vai aparecer".

(Notícia atualizada pela última vez às 9h48 com mais informação)

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG