Presidente da CP desafia Governo a reabrir Linha do Douro até Barca d'Alva

Nuno Freitas aponta para pacto de regime no regresso da ferrovia desta linha até à fronteira com Espanha.

Diogo Ferreira Nunes
Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos; Nuno Freitas, presidente da CP - Comboios de Portugal. a bordo de um comboio na Linha do Douro, entre a Estação de São Bento no Porto e a Régua. ( José Carmo / Global Imagens )

Chegou a hora de reabrir a Linha do Douro até Barca d'Alva. O presidente da CP, Nuno Freitas, desafiou esta terça-feira o Governo a recuperar a ligação ferroviária entre Pocinho e a fronteira, encerrada desde 1988. O gestor público fala numa "oportunidade única" para apostar neste troço.

"Portugal não se pode dar ao luxo de ter uma infraestrutura destas desativada. O Governo está no lugar certo e no momento certo para devolver um legado ferroviário", referiu o líder da CP durante a intervenção na inauguração da modernização da linha da Beira Baixa, no troço entre Guarda e Covilhã.

A reabertura deste troço ferroviário permitirá o "fomento do turismo, agricultura e agroindústria, onde há acessibilidades condicionadas por motivos ambientais". Ligar Pocinho e Barca d'Alva permitirá que a linha do Douro una "três territórios património da humanidade, como Porto, Vale do Douro e Vale do Couro".

Nuno Freitas assinalou ainda que há um "pacto de regime" para reabrir este troço ferroviário: o apoio financeiro da Comissão Europeia, a unanimidade do Parlamento e ainda o apoio do Governo, nomeadamente do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

Em resposta, o ministro defendeu que a reabertura deste troço "é um objetivo para concretizar" e lançou o repto: "Enquanto o Douro for explorado, não há Toscânia que nos bata." Pedro Nuno Santos assinalou ainda que o Vale do Douro "é uma das regiões mais lindas do mundo. Outras regiões na Europa souberam aproveitar isso", notou o governante, que confessou a vontade de fazer várias viagens de comboio no Velho Continente.

Neste mês, será formalizado o grupo de trabalho para definir qual o melhor modelo de reabertura do troço da Linha do Douro entre as estações do Pocinho e Barca d'Alva. que terá de apresentar as conclusões até ao final de 2021. A equipa será liderada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e contará com o apoio do ministério da Coesão Territorial.

A reabertura da Linha do Douro até à fronteira implica um investimento de 43 milhões de euros, segundo um estudo de 2017 da Infraestruturas de Portugal. Fora dos planos está a reabertura do troço entre a fronteira e La Fuente de San Esteban, que implicaria um investimento entre 87 e 119 milhões de euros do lado espanhol.

O regresso dos comboios a Barca d'Alva tem conquistado cada vez mais apoiantes. Em março, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, juntou a esta lista. "Sou a favor da extensão da Linha do Douro até Barca d'Alva. Tem um potencial turístico muito importante. É uma das regiões mais bonitas do Douro", admitiu o governante em audição parlamentar em 22 de março.

No início de março, o Parlamento aprovou, por unanimidade, a petição para a reabertura deste troço. O documento apresentado pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e da Fundação Museu do Douro reuniu 13 999 assinaturas.

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