Ryanair prevê mais 40 destinos se a TAP libertar 250 slots

Líder da low cost admite retirar as queixas contra as Ajudas de Estado se a companhia nacional perder entre 20 e 30% das faixas horárias.

Ana Laranjeiro
Michael O"Leary, CEO da Ryanair © Bruna Ferreira

A Ryanair defendeu ontem que a TAP deve perder 250 slots (faixas horárias que permitem a descolagem e aterragem de aeronaves) no aeroporto de Lisboa. Michael O"Leary, CEO do grupo irlandês, assume que se a TAP perder essa quantidade pode adicionar mais de 40 destinos e alocar quatro aeronaves a partir da capital.

O plano de reestruturação da TAP ainda não recebeu luz verde de Bruxelas. O ministro das Infraestruturas já assumiu que a transportadora portuguesa vai perder slots, sem quantificar. As últimas notícias sugeriram que a TAP poderia perder 12 slots em Lisboa.

"Achamos que a TAP devia libertar 250 slots por semana", disse Michael O"Leary, em conferência de imprensa, em Lisboa. À margem, afirmou que se tivesse mais faixas horárias em Lisboa - porque defende que a TAP tem a mais apenas na capital - "criaríamos mais frequências para as rotas existentes e novos destinos".

"Neste momento, voamos para 270 destinos na Europa. A partir de Lisboa voamos entre 56 e 60 destinos. Por isso, podemos ter mais 40 destinos a partir de Lisboa. Temos quatro aviões que colocaríamos em Lisboa a 1 de janeiro, se a TAP libertasse os slots", acrescentou.

O"Leary voltou a apontar o dedo ao governo português. "Não entendemos porque é que o ministro das Infraestruturas e o ministério do Turismo permitem que a TAP continue sem a libertar 250 slots por semana que não" vai utilizar.

Apesar do plano de reestruturação da TAP ainda não ter recebido luz verde de Bruxelas, a companhia já implementou algumas medidas incluídas no plano, como cortes de salários, saída de funcionários - incluindo através de um despedimento coletivo que abrangeu cerca de sete dezenas de pessoas - redução de frota. A redução de slots deverá também ser uma realidade, até porque todas as outras companhias aéreas que receberam Auxílios de Estado, mesmo que em moldes diferentes, tiveram de perder faixas horárias.

O"Leary defendeu, ainda à margem, que, para que a TAP tenha Ajudas de Estado é necessária "mais concorrência em Lisboa". "Se a TAP desistir de entre 20 e 30% dos seus slots em Lisboa, o que acho razoável, tendo em conta que a sua frota encolheu cerca de 25%, então retiramos as queixas contra as Ajudas de Estado. Nós aceitamos que, em última análise, a TAP vai ter Ajudas de Estado. Mas não se pode colocar milhares de milhões de euros na TAP e continuar a dar" uma vantagem sobre a concorrência.

A Ryanair vai ter mais 17 rotas a partir de Portugal no próximo verão. Entre as novidades, passará a ter ligações de Lisboa para: Bari, Madeira, Oujda, Veneza e Poitiers.

Oportunidade em 2022

As estimativas internacionais sugerem que o turismo só voltará aos níveis de 2019 em 2023 ou 2024. O líder do grupo Ryanair prevê que no próximo ano o tráfego de longo curso ainda estará cerca de 20% abaixo dos níveis pré-pandemia. Por isso, muitos turistas podem escolher o sul da Europa para férias e Portugal tem uma oportunidade, contando que possa haver mais voos.

"No pós-covid haverá muito a acontecer. No verão de 2022, haverá cerca de menos 20% dos voos na Europa que existiram no verão de 2019", salienta. No próximo verão a companhia estima ter mais cerca de 60 aviões na sua frota e "temos aeroportos por todo o mundo, incluindo a ANA, a reconhecer que a Ryanair terá novos aviões e se os pode alocar aqui, ajudando a recuperar tráfego perdido, e nós podemos".

"Portugal é um ótimo mercado para a Ryanair. Outra oportunidade para Portugal em 2022 é que muitos dos voos de longo curso não vão reabrir e muitas pessoas que, historicamente, viajariam longo curso para destinos de férias, não o vão fazer. Então vão ter muitas famílias de Irlanda, Reino Unido, Norte da Europa e Alemanha a voltar às praias portuguesas, italianas, gregas e espanholas. Há uma oportunidade real", assume, rematando que "é importante ter este tráfego em Portugal".

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