SDR Portugal quer investir 100 milhões para gerir resíduos de embalagens

Associação tenciona implementar 3600 máquinas de recolha de invólucros de bebidas de plástico e metal.

Mónica Costa
Miguel Aranda da Silva, novo diretor-geral do SDR Portugal © Leonardo Negrão/Global Imagens

Quer ser a organização que vai gerir o futuro sistema de reembolso no que às embalagens de bebidas diz respeito. E ajudar a cumprir as metas da sustentabilidade determinadas pela União Europeia. A Associação SDR Portugal é candidata à gestão do futuro Sistema de Depósito e Reembolso de bebidas não reutilizáveis de plástico e metal (alumínio e aço) que será implementado em Portugal, conforme estabelecido na lei. E no mês passado, à organização sem fins lucrativos chegou novo diretor-geral.

Miguel Aranda da Silva - que conta com uma vasta experiência no setor dos resíduos - conversou com o Dinheiro Vivo e demonstrou o seu entusiasmo pelo novo cargo e com o que o SDR Portugal pode vir a aportar para a redução de resíduos no país. Se a associação ganhar o concurso, serão investidos 100 milhões de euros para a implementação de 3600 máquinas de recolha de embalagens.

As novas máquinas, que lerão os códigos de barras das embalagens vão reembolsar o consumidor com o valor que já depositou quando comprou a bebida. "No final, volta a entregar a embalagem na máquina", explica Aranda da Silva que revelou que, para que este sistema possa avançar, vai ser necessário produzir novas embalagens. "O modelo implica ano e meio a dois anos para entrar em funcionamento e há toda uma adaptação daquilo que são as embalagens que hoje estão no mercado, para que depois a tecnologia funcione", diz.

Do investimento de 100 milhões de euros, 70 milhões serão despendidos nos dois primeiros anos, para a implementação do sistema. "A ideia é usar o retalho e a nossa distribuição para ter as máquinas, pois está estudado que é aí que elas funcionam. Ou seja, levamos sacos quando vamos às compras. Esse saco pode ir com as embalagens que vamos deixar na máquina", diz Aranda da Silva.

O investimento provém dos acionistas do SDR, que incluem 80% das empresas do setor da distribuição e 70% das produtoras de bebidas ou embaladoras e prevê-se uma redução significativa das quantidades totais de lixo (30% a 40%) e corte de 70% a 90% nas embalagens de bebidas deitadas fora. Também se prevê menos custos na limpeza urbana, que rondará 20 a 40 milhões de euros/ano.

Antes de mais, porém, será necessário que o governo decida o enquadramento legal para o concurso público e para que finalmente seja atribuída a licença ou a concessão da gestão destes resíduos. "Temos tido vários contactos e há vontade política para que o modelo seja montado", explica Miguel Aranda da Silva, frisando que as metas que a União Europeia estabeleceu são já para 2025. "Acreditamos que talvez no final do verão possamos ter o enquadramento legal necessário para ir a concurso para termos uma licença ou que nos seja atribuída uma concessão."

Quanto a concorrentes diretos, o responsável não identifica nenhum. "Temos um conjunto de acionistas relevante para o que é a responsabilidade alargada do produtor e isso posiciona-nos de maneira particular", diz, frisando que tudo depende do que serão os critérios de atribuição da operação. Se a proposta do SDR Portugal vencer, o sistema de recolha e reembolso que atualmente já existe em projetos-piloto pelo território nacional, tenderá a desaparecer.

Mais Notícias

Veja Também

Outros Conteúdos GMG