Siza Vieira. "Não vale a pena termos um aeroporto se não tivermos TAP"

Ministro da Economia considera incapacidade de decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa "mesmo lamentável".

Sónia Santos Pereira
O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira © Estela Silva/Lusa

"Nós precisamos mesmo de um aeroporto , é incontestável que precisamos de aumentar a capacidade aeroportuária", sublinhou esta sexta-feira Pedro Siza Vieira, ministro do Estado, da Economia e da Transição Digital, no último dia do 46ª congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAV), que termina hoje em Aveiro. Mas a construção dessa infraestrutura só faz sentido com a TAP, disse.

Como frisou Siza Vieira, a TAP "é provavelmente uma das empresas mais críticas para o nosso desenvolvimento" e, na sua opinião, "não vale a pena ter um aeroporto se não tivermos TAP". O ministro da Economia lembrou que 95% das pessoas que chegam a Portugal vêm por via aérea e que se Lisboa se tornasse um aeroporto secundário criava-se "uma desvantagem estratégica".

Para o ministro da Economia, "uma das vantagens destas eleições é poder responder ao apelo do Presidente da República" que, na passada quarta-feira, também no congresso da APAVT, exortou a que se tome "uma decisão" sobre o aeroporto e "tome-se em 2022". Na ocasião, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou também que "sonhar com um hub forte em Portugal implica apostar na TAP".

Como afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, "é muito importante que os concorrentes às eleições clarifiquem" o que querem com a TAP, "para que não haja angústias metafísicas no decurso da legislatura".

Seguindo a linha do Presidente da República, Siza Vieira considerou necessário a existência de um consenso político para mudar a legislação e não ser possível bloquear decisões, lembrando que atualmente há sempre uma câmara que pode bloquear.

Para Siza Vieira, "o movimento aeroportuário cresceu em Lisboa, porque a TAP cresceu e isso motivou a que outras operadoras viessem para Portugal".

O ministro lembrou que em 2019 a companhia aérea portuguesa teve um contributo positivo de quase 2% para o PIB". E se a transportadora desaparecesse haveria "um impacto imediatamente negativo na nossa balança comercial".

Respondendo às críticas sobre os apoios do Governo à TAP, o ministro realçou que "todos os Estados do mundo fizeram grandes apoios às companhias aéreas" e que "o país tem de preservar esta capacidade instalada para que haja recuperação". E ainda frisou: "Se deixarmos agora a TAP morrer seria uma perda muito grande para o país, que nos arrependeríamos".

Siza Vieira admitiu que haja alguns apoios específicos às empresas do setor do turismo, embora na situação atual já se denote "alguma atividade". Como disse, "Já não estamos numa situação em que simplesmente não temos clientes, já temos alguma atividade".

Na sua opinião, "o mais importante é ajudar as empresas a reconstruir o seu balanço, que ficou muito degradado por esta situação" pandémica.

O ministro adiantou que está a ser estudada uma solução para as micro e pequenas empresas para apoio à dívida. Segundo afirmou, a ideia é um programa em que por cada euro colocado pelo empresário, o Estado coloca outro. Contudo, não assegurou conseguir pôr no terreno este apoio antes das eleições.

(Notícia atualizada às 12h24 com mais informação)

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