"Soft skills" são cada vez mais procuradas no mercado de trabalho

Traduzidas para competências de natureza comportamental, são o que pode levar ao êxito profissional, revela a vice-presidente of people da Outsystems, Alexandra Líbano Monteiro, explicando também quais as soft skills mais importantes e o que têm vindo a mudar ao longo do tempo.

Filipa Quito
Seminário na FCT NOVA que assinala 10 anos do Perfil Curricular sobre soft skills © Rui Olavo/ FCT NOVA
Seminário na FCT NOVA que assinala 10 anos do Perfil Curricular sobre soft skills © Rui Olavo/ FCT NOVA

Para a vice-presidente of people da empresa Outsystems, as três competências mais importantes são o growth mindset (mentalidade de crescimento, tradução livre), que é acreditar que as nossas habilidades não são fixas e que podemos atingir mais com trabalho, esforço e mudança; a segunda é a "comunicação empática"; e a terceira, as "fundações críticas para o saudável e produtivo relacionamento entre pessoas", explica Alexandra Líbano Monteiro, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Deste modo, as soft skills são definidas, de forma simples, como o modo como se trabalha e as competências de relacionamento com as pessoas, explica Alexandra Líbano Monteiro, no âmbito do seminário "10 anos do Perfil Curricular" que decorreu na Faculdade de Ciências e Tecnologias (FCT NOVA). Este começa a ser um requisito das empresas no que toca à contratação e do que se procura num perfil profissional e curricular.

Para se atingir o êxito profissional não basta ter hard skills (consideradas competências duras e de natureza mais técnica que podem ser aprendidas ao longo da formação, por exemplo, línguas, matemática e marketing), há que adquirir e acrescentar ao perfil competências brandas, criando assim uma melhor ligação interpessoal.

Desta forma, o lidar com pessoas diariamente é fundamental e quem desenvolve estas competências "consegue mais vendas, equipas mais motivadas, trabalho colaborativo mais produtivo. Em resumo, melhores resultados", sublinha a gestora da OutSystems.

Ao longo dos anos, estas competências têm ganho uma maior relevância. Mas serão estas mais importantes agora ou antes? Alexandra Líbano Monteiro explica que as soft skills sempre foram importantes e consideradas um "aspeto crítico" na vida profissional, mas têm tido um maior desenvolvimento por fenómenos mais recentes, ou seja, a evolução, inovação e tecnologia nas empresas.

Outros dos fenómenos que são colocados em cima da mesa, quando o êxito profissional é mencionado, são a "existência de várias gerações no mesmo local de trabalho, globalização das empresas, o foco na diversidade e o trabalho remoto", acrescenta a dirigente da OutSystems.

<strong>Perfil Curricular na FCT NOVA</strong>

A Faculdade de Ciências e Tecnologias (FCT NOVA) realizou na última quarta-feira o seminário "10 anos do Perfil Curricular" na biblioteca da instituição, localizada em Almada. O debate, que contou com uma mesa-redonda, foi realizado para abordar a importância da soft skills (competências de natureza comportamental) para o êxito profissional.

A disciplina "Competências Transversais para Ciências e Tecnologia" (CTCT), que existe desde 2012 e é desenhada para alunos de tecnologia, é lecionada durante cerca de cinco semanas no primeiro ano, tem como objetivo preparar os alunos para o mercado de trabalho e dar-lhes noções de empreendedorismo. Tanto alunos de licenciatura como de mestrado aprendem a construir um currículo, saber falar em público, por exemplo, sendo estas competências cada vez mais procuradas no mercado de trabalho.

Os alunos que se juntam, normalmente, em grupos de cinco pessoas, desenvolvem projetos na ordem da sustentabilidade, tecnologia, sociedade, saúde, entre outros, e apresentam no fim da disciplina.

No seminário estiveram presentes atuais e antigos alunos da faculdade e responsáveis como o diretor da FCT NOVA, Virgílio Cruz Machado, a vice-presidente (VP) of people, da empresa Outsystems, Alexandra Líbano Monteiro e a head of employee experience e talent acquisition da NOS, Francisca Matos.

O diretor da FCT NOVA, Virgílio Cruz Machado, revela que "tivemos a oportunidade de ouvir de viva-voz a opinião dos alunos, dos empregadores e professores e perspetivas muito diferentes que nos permitem afinar melhor a nossa oferta do Perfil Curricular para darmos à sociedade aquilo que ela precisa".

Devido a vários alunos da FCT NOVA se candidatarem à empresa de telecomunicações NOS, e terem no seu currículo esta disciplina, a head of employee experience e talent acquisition da NOS, Francisca Matos, explica que "ter um perfil completo - que vai muito além das competências específicas que cada vaga exige - é fundamental numa primeira fase de contratação na NOS".

Este enquadramento educativo que está presente na FCT, faculdade que revela uma taxa de empregabilidade de 98%, demonstrou ser eficaz logo nos primeiros três anos de implementação, tendo registado 10% de melhoria no desempenho escolar dos alunos.

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