Swissport : "Hub de Lisboa é mal gerido. Podemos fazer muito pela TAP"

A empresa suíça de handling não tem dúvidas de que é a melhor opção na corrida dos novos acionistas à Groundforce e pede urgência na decisão.

Rute Simão
CEO da Swissport Warwick Brady © DR

Há ano e meio que a Swissport está de olhos postos em Portugal. A multinacional de serviços de handling quer expandir a operação para o país através da compra de parte do capital da Groundforce, nomeadamente da fatia de 50,1% da Pasogal, que está nas mãos de Alfredo Casimiro. Mas em cima da mesa está também a possibilidade de comprar a restante parte detida pela TAP, 49,9%, se a transportadora portuguesa se decidir pela venda de ações. Se esta porta for aberta, a Swissport garante que irá meter as fichas em cima da mesa e que está disposta a ir mais além com a compra da maior participação possível, embora assuma que lida bem "com parceiros" admitindo que nem sempre, no seu modelo de negócio, é possível "deter 100% das ações".

A decisão sobre o novo acionista será conhecida em julho, segundo avança a empresa suíça especialista em serviços aeroportuários. Na corrida está também a National Aviation Services do Kuweit mas a Swissport não tem dúvidas de que é a mais capacitada para gerir a operação em Portugal.

"Acreditamos que a Swissport pode ser um parceiro de longa duração para Lisboa. Temos a experiência, os acionistas e o capital para investir bem como uma visão de longo prazo para gerir o negócio", garantiu o CEO Warwick Brady num encontro com jornalistas sem deslindar, no entanto, os valores que envolvem as negociações.

Com uma operação em 285 aeroportos em 45 países, o responsável atesta que a Swissport é a "Apple ou a Microsoft" do handling. "Somos líderes de mercado, somos grandes na Alemanha, no Reino Unido, no Brasil, na Holanda. 98% dos clientes da Groundforce já são nossos clientes", explica.

Sobre o hub de Lisboa, o CEO admite que há constrangimentos e que, por isso mesmo, é tempo de tomar uma decisão sobre a venda do capital da empresa portuguesa. "Acreditamos que está mal gerido. Conseguimos fazer muito mais para a TAP", afiança. O gestor acrescenta que é preciso investimento no aeroporto da Portela.

"Não falo num investimento massivo mas o suficiente para assegurar que a infraestrutura funciona. Como funciona o desembarque, a emigração, e todos têm de ser parte deste sistema. É sobre conseguir tirar as pessoas do avião para o próximo o mais rápido possível, de forma eficiente", acrescentou.

Apesar de a Swissport se manter de pé fincado na possível compra da empresa portuguesa de handling, Warwick Brady alerta para a urgência numa tomada de decisão sobre o novo acionista. "Acreditamos que é do interesse nacional, do governo e da TAP tomar a melhor decisão para o hub. Isto já se arrasta há um ano e meio, é uma história longa. Têm de tomar uma decisão, caso contrário as pessoas começam a ficar aborrecidas", admitiu.

O CEO assegura, ainda assim, que a Swissport tem sido "resiliente" ao contrário de outros interessados que já bateram com a porta, como é exemplo a operadora belga Aviapartner. "O governo e a TAP têm de fazer um compromisso. Nós somos a melhor oportunidade para fazer isto resultar. Já passou tempo demais para toda a gente", desabafa.

O plano de recuperação da Groundforce continua em stand by à espera que a decisão de insolvência transite em julgado para que se possa avançar com a venda da empresa aos novos acionistas. Alfredo Casimiro avançou, em abril, com um recurso junto do Supremo Tribunal de Justiça para tentar travar a insolvência da empresa de handling, conforme noticiou o Eco.

*O Dinheiro Vivo esteve em Zurique a convite da Swissport

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