Tripulantes de saída da TAP chamados para outras funções

Sindicato revela que a companhia está a convocar 80 profissionais colocados na via do despedimento para os manter na empresa, mas com tarefas em terra. TAP confirma que há essa hipótese mas frisa que são poucos os lugares "pelo que haverá processo de seleção entre os vários candidatos".

Ana Laranjeiro
Maia, 12/08/2020 - TAP Air Portugal no aeroporto Francisco Sá Carneiro. (Leonel de Castro/Global Imagens) © Leonel de Castro/Global Imagens

Cerca de 80 tripulantes de cabine, até ao momento, foram chamados para reuniões com os Recursos Humanos da TAP, depois de um algoritmo, que tem em conta quatro critérios, os identificar como possíveis pessoas a sair, indica o sindicato. No entanto, pelo menos para alguns, o despedimento não é o único caminho. Há falta de pessoal em algumas funções de terra e a TAP tem abordado esses profissionais para perceber se podem ocupar esses lugares.

"Em relação aos tripulantes de cabine, temos cerca de 80 que foram chamados a estas reuniões com os Recursos Humanos da TAP onde foram informados pela companhia que, devido aos critérios que a empresa estabeleceu, estavam em excesso", diz ao Dinheiro Vivo Henrique Louro Martins, presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC). Além disso, no início desta semana, "tivemos outra novidade: apareceu no portal eletrónico da companhia, para esses colegas que estão a ser chamados para essas reuniões, a possibilidade de serem transferidos para um trabalho de terra. O que se entende é que a companhia quer dar ao tripulante a hipótese de este não ir para o desemprego e ir para um trabalho em terra, mas não deixa de ser estranho".

Contactada, a TAP confirma que há essa possibilidade, mas frisa que são poucas as vagas. "As saídas por não renovação de contratos a termo impactaram de forma mais evidente algumas áreas da empresa, criando a possibilidade de preencher alguns postos de trabalho em determinadas áreas, nomeadamente no hub de Lisboa, entre outras. Existe um número limitado de vagas de trabalho em terra. Aos tripulantes de cabine que foram convocados para reuniões com os Recursos Humanos da TAP, e antes de ser analisada qualquer outra alternativa, foi aberta uma nova possibilidade, de passarem a exercer funções em terra, no hub de Lisboa. Deve referir-se que as vagas existentes nesta área são, ainda assim, muito reduzidas, pelo que haverá processo de seleção entre os vários candidatos", indica fonte oficial.

"É neste contexto operacional que as necessidades de ajuste são diferenciadas para as várias áreas da empresa e que são equacionados e implementados processos de recrutamento e seleção entre as diversas áreas da empresa e dentro do Grupo TAP, para áreas que têm défice de recursos humanos. É o caso da Portugália Airlines e também dos serviços de hub no aeroporto de Lisboa. Deste modo, é proposta a pessoas de áreas ainda sobredimensionadas, no contexto gerado pela pandemia, a hipótese de se candidatarem a áreas onde existe uma maior carência", acrescenta.

Os acordos de emergência permitiram salvar cerca de 750 postos de trabalho face aos cerca de dois mil indicados no plano de reestruturação que tinham de sair. Na primeira vaga das medidas voluntárias registaram cerca de 600 adesões e ter-se-ão candidatado mais de uma centena na segunda vaga. Tal como indicou Miguel Frasquilho, chairman da TAP, em entrevista ao Dinheiro Vivo na semana passada, após as medidas voluntárias, a empresa considera que tem ainda "entre 400 e 500 postos de trabalho em excesso", estando agora em curso entrevistas com os trabalhadores identificados.

Apesar da crise para a qual a pandemia atirou a aviação civil, os primeiros sinais do início da recuperação parecem estar a chegar. O SNPVAC nota que a "TAP está a ter mais voos, está a crescer e, em breve, vai precisar de todos estes tripulantes". Por isso, defende o dirigente sindical, os "tripulantes têm esperança que neste ano haja - fazendo fé nas previsões da IATA e no que a companhia nos tem dito - uma retoma. Não uma retoma a 100%. Os valores que voávamos em 2019 vão demorar a aparecer. Os prejuízos que a empresa teve preocupam-nos bastante, mas também a empresa nunca tinha tido 105 aviões no chão".

Ainda não há uma data concreta, mas o governo tem apontado que a nova administração da TAP será conhecida em breve. Após a saída de Antonoaldo Neves, em meados de 2020, Ramiro Sequeira assumiu a presidência executiva da companhia, como interino. Henrique Louro Martins defende que a empresa precisa de renovação. "A TAP precisa de sangue novo com urgência. A escolha do CEO compete ao governo. Não vejo nenhum problema em que seja um CEO português. É preciso é que, quem venha, reconheça o esforço dos que cá estão e do que fizeram. É preciso que reconheçam o esforço dos trabalhadores e o esforço que os trabalhadores fizeram para que a TAP pudesse continuar", remata Henrique Louro Martins.

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