UHU: Depois de colar crianças aos tubos, é hora de tirar humidade

Empresa alemã aposta em desumidificadores portáteis para alargar o leque de produtos em Portugal, onde está de forma oficial há 25 anos com colas escolares.

Diogo Ferreira Nunes
Diretora de marketing da UHU Portugal, Inês Teixeira. © Paulo Spranger/Global Imagens

Há 25 anos, era rara a turma da escola primária onde não houvesse pelo menos uma criança com um tubo de cola amarelo nas aulas de desenho. Foi em 1997 que a UHU passou a ter presença oficial em Portugal e começou a colar o sucesso no mercado lusitano. Um quarto de século depois, a empresa alemã está a alargar o leque de produtos e aposta cada vez mais em ambientes.

"Temos um histórico muito associado às colas escolares. A nossa notoriedade vem muito daí. Contudo, já não temos só isso", reconhece ao Dinheiro Vivo a diretora de marketing da UHU Portugal, Inês Teixeira.

A mais recente novidade passa pelos desumidificadores portáteis, em duas versões, de saco ou com gel. Mais adequado para o interior dos automóveis, os sacos para absorver a humidade podem ser reutilizados várias vezes: sempre que estiverem cheios, basta colocá-los num prato ou numa tigela dentro do micro-ondas durante seis minutos para evaporar.

Na solução com gel, para ser utilizada sobretudo em casa, há um gel de absorção que dura dois a três meses. Depois disso, tem de ser colocada uma nova recarga. "Queremos retirar a humidade que não é visível", salienta Inês Teixeira.

Também disponíveis no mercado e em lojas da especialidade estão os produtos virados para a bricolage, como colas de fixação sem pregos, vedantes, silicones e buchas químicas. Igualmente à venda estão removedores de fungos e de bolores, exemplifica a responsável.

Em 2020, esta categoria de produtos ganhou forte destaque nas vendas da UHU a nível mundial. "Foi um ano desafiante. As escolas fecharam de um dia para o outro, com grande impacto no nosso negócio. Felizmente, conseguimos compensar isso com a área da bricolage." Com o primeiro confinamento, as pessoas viraram-se para dentro de casa e "aproveitaram o tempo para reabilitar espaços".

Com esses produtos, a empresa pretende que os consumidores prolonguem a vida dos produtos, "em vez de os mandarem para o lixo".

A estratégia foi fundamental para que a UHU tivesse faturado mais de oito milhões de euros no primeiro ano da covid-19. Os produtos fabricados na Alemanha podem ser encontrados em todos os tipos de lojas, das pequenas papelarias aos supermercados.

O compromisso com o ambiente também em conta o desenvolvimento dos artigos da empresa alemã. "O tema da sustentabilidade, mais do que uma responsabilidade de todos os cidadãos, é uma grande responsabilidade para as empresas."

Nas colas, seja em formato de tubo ou de bisnaga, já existem as versões "verdes", designadas de "Renature" porque mais de 58% da embalagem é feita através de matérias-primas orgânicas. A UHU recomenda às empresas que haja "proximidade de preços" entre opções verdes e opções naturais.

Em qualquer configuração, a fórmula das colas conta com 98% de ingredientes naturais, incluindo água, minimizando o impacto no ambiente.

As colas da UHU têm donos italianos desde 1994, quando o grupo Bolton - que conta com mais de 50 empresas - comprou a fabricante centenária.

Mesmo assim, a responsável portuguesa atenta que o produto continua a ser fabricado na Alemanha, "o que está associado a algo com bastante qualidade e com grande suporte". Em Portugal, antes de ter representação oficial, a marca apenas chegava cá através de distribuidoras.

A empresa reconhece que a cola de batom "vai ser sempre um dos produtos-bandeira", mas garante que vai continuar a apostar em entrar em novas categorias de produtos.

O mercado dos profissionais da bricolage e construção e dos artigos para o bem-estar em casa serão os principais alvos para que a UHU esteja cada vez mais colada ao mercado português, independentemente da idade dos consumidores.

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