Vale tecnológico de Matosinhos abre portas no final de 2025

Pelo menos cinco mil pessoas vão trabalhar no Fuse Valley, projeto promovido pelo Castro Group e que se quer como "o mais sustentável de Portugal". Deverá acomodar cinco mil pessoas.

Diogo Ferreira Nunes
Polo tecnológico passa perto da Linha de Leixões. © Artur Machado/Global Imagens

Com o rio Leça e a Via Norte como pano de fundo, o vale tecnológico de Matosinhos vai abrir portas no último trimestre de 2025. O projeto Fuse Valley foi apresentado ontem na Casa da Arquitetura e deverá albergar 5000 trabalhadores. A plataforma de moda de luxo Farfetch, fundada pelo português José Neves, será uma das âncoras.

No espaço com 140 mil metros quadrados serão construídos 24 edifícios, em duas fases: os primeiros 14 ficarão prontos dentro de quatro anos; depois disso, serão construídos os outros 10. Entre os primeiros 14 edifícios, sete serão os escritórios da Farfetch. A tecnológica vai reunir as equipas que trabalham atualmente no polo empresarial da Lionesa (Leça do Balio) e no edifício da Boavista (Porto).

Ao Dinheiro Vivo, José Neves não adianta quantas pessoas a empresa terá nos seus edifícios. "Não sabemos como vão ser as dinâmicas de trabalho pós-covid-19. Se calhar vamos ter de ter mais espaços para construção de cultura, de comodidade...em vez de mesas de trabalho".

Os outros sete prédios serão promovidos pelo Castro Group e incluem escritórios para outras empresas, um com 75 quartos e 42 apartamentos; cinco mil metros quadrados de espaços para comércio e serviços como restaurantes, um ginásio e um spa; e ainda haverá um anfiteatro ao ar livre disponível para receber mostras de arte, palestras e workshops.

O líder da Farfetch espera que o Fuse Valley seja o empreendimento "mais sustentável de Portugal e um dos mais sustentáveis da Europa". Para que isso aconteça, serão compensadas as emissões relativas à construção e o empreendimento será neutro em carbono. O consumo de energia será 49% abaixo do normal, com recurso a várias soluções "verdes".

Além disso, 80% da água das chuvas será retida e usada para outros fins e serão instalados sistemas de rega eficientes.

Durante a apresentação, o líder do Castro Group, Paulo Castro, recordou que o empreendimento começou a ser pensado em 2018, depois do desafio da Farfetch. Na mesma apresentação, o empresário anunciou que as obras irão arrancar dentro de um ano.

<strong>Linha de Leixões passa à porta</strong>

No interior do empreendimento, estima-se que em cada 10 lugares de estacionamento venham a ter um carregador para carros elétricos e que haja espaços para bicicletas e trotinetas para 5% dos ocupantes.

Em termos de transportes públicos, a estação de metro mais próxima (Custió) fica a 1200 metros do futuro complexo. Para tentar atrair ocupantes, estão previstas 45 viagens diárias de autocarro entre o empreendimento e as estações do metro da Maia e da Trindade.

Mas a poucas centenas de metros do Fuse Valley passa a linha de Leixões, sem serviço de passageiros desde 2011. Confrontada pelo Dinheiro Vivo a presidente da câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro recordou que há um projeto de 97,3 milhões de euros que permitirá o regresso do tráfego de passageiros à linha (incluindo a compra de comboios, no valor de 31,9 milhões de euros). Também está prevista a duplicação da linha e a construção de 11 novas estações.

"Acho que a linha ficará pronta antes da conclusão do projeto", confia a autarca. Além o Fuse Valley, a linha poderá servir empresas como a Efacec e ainda o polo empresarial da Lionesa.

O projeto foi apresentado junto da Infraestruturas de Portugal e proposto para o Plano Ferroviário Nacional.

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