Vila das Rainhas. Esta ginja não é só ginjinha. Até o caroço se aproveita

Licor de ginja não é ginjinha em copinho de chocolate. É fruta pura, sem corantes nem conservantes, garante a gerente, Marina Brás. Empresa já faturou 500 mil euros este ano e vai aumentar as instalações.

Filipa Quito
Gerente da Vila das Rainhas, Marina Brás © Gerardo Santos/Global Imagens
Tratamento da fruta ginja na Vila das Rainhas (FRUTÓBIDOS) © Gerardo Santos/Global Imagens
Lavagem da fruta ginja na Vila das Rainhas (FRUTÓBIDOS) © Gerardo Santos/Global Imagens

A Vila das Rainhas, da Frutóbidos, dedica-se à produção do licor de ginja, não à ginjinha. São pioneiros na região, tendo aberto o negócio em 1988, há 34 anos de vida. Com fábrica em Óbidos, na Amoreira, a empresa visa aliar a típica prova do licor a uma experiência de licoturismo. Neste ano, já faturou 500 mil euros.

Há a ginjinha e o licor de ginja. O que distingue as bebidas não é o diminutivo da palavra, mas sim, a fruta, o néctar, o sabor frutado. Corantes e aromas são ingredientes que não pingam no licor, nem o copinho feito de chocolate é o predileto.

"Estamos desde 2011 nestas instalações, no entanto, a receita da ginja é igual desde o início, desde que o fundador me passou, em 2001", diz Marina Brás, gerente da Vila das Rainhas, em entrevista ao Dinheiro Vivo. Crescemos em capacidade, mas isso não altera o facto de respeitarmos a receita utilizada há gerações", assegura.

Sem fruta não há licor. Quais os ingredientes que compõem a bebida cobiçada pelos portugueses? Simples. São quatro ingredientes: ginja, álcool, açúcar e água. Está assim formado o quarteto que adocica o paladar, e a estrela é a fruta. E como se chega ao licor? "Primeiro, vai buscar-se aos ginjais a ginja, sendo a colheita por entre junho e julho, segue-se a despelagem, lava-se bem a fruta com água à pressão e daí passa pelas infusões hidroalcoólicas nos tanques (levando quase três anos a ter o produto pronto a consumir)", explica. Não é tarefa fácil, mas os nove colaboradores, manualmente, dão conta do recado.

Depois, começa a elaboração propriamente dita da bebida. "Existem 30 tanques em fábrica, com diferentes capacidades. Os maiores podem conter até 25 mil litros e os mais pequenos vão desde os três aos 15 mil.

Assim, metade do reservatório é fruta e o resto é água e álcool, não esquecendo o açúcar", revela Marina Brás.
Mas, como nem todos os gostos tombam para o mesmo, encontram-se outros produtos. Por exemplo, sem álcool, o pastel de nata de ginja e as gomas de fruta, sem açúcar adicionado, o chá. E até bolachas de aveia. Além do mais, a empresa anunciou um novo produto, o licor de ginja mais próximo do seu estado puro, mais amargo, sendo este único em Portugal.

<strong>Licoturismo rima com companheirismo</strong>

O licoturismo, experiência divulgada a partir de maio, associa o conceito do licor ao turismo e como existem várias empresas com ginja de Óbidos, deve separar-se as águas. "Queríamos destacar-nos e, portanto, começámos a realizar várias atividades", refere Marina Brás. "Cada dia é uma descoberta", acrescenta.

A ideia borbulhou a partir do avanço e evolução do enoturismo (experiência que passa pela apreciação do sabor e aroma dos vinhos) e, assim, a empresa começou a pensar que seria um bom caminho a percorrer. A ideia foi colocada ao Turismo de Portugal Centro, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), e assim foi.

Existem nove pacotes disponíveis, efeito de parcerias locais, desde a visita às instalações, a típica prova, a criação de cocktails, passeio de charret romântico ou com a família até uma ida à ilha das Berlengas. São atividades que podem ser feitas com família ou amigos.

O conceito inovador tem por objetivo abrir portas da fábrica aos turistas, excursões e escolas. "Abrimos a nossa fábrica a nível nacional e internacional". O produto já é exportado desde 2004 para 17 países, como Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Suíça e também do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Macau e Japão. "Os estrangeiros gostam de experimentar um bom produto nacional".

<strong>Nem os caroços ficam para contar a história</strong>

Ora, mesmo com os variados formatos que a ginja pode adquirir, há sempre uma nova ideia e o zero desperdício é um fator decisivo, é o que transmite Marina Brás. "Estamos sempre a inovar, nunca estamos satisfeitos com o que está feito." Por exemplo, o pé e folha da fruta são mandados secar e a partir daí nasce o chá de ginja, com benefícios para a saúde. Também há almofadas recheadas de caroços de ginja secos que auxiliam nas contrações musculares.

A versatilidade é a única palavra que assenta nesta fruta e, assim, a Vila das Rainhas criou outro conceito para desafiar vários chefs a recriarem pratos com a ginja. "Existem jantares temáticos que levam ginja desde a entrada à sobremesa, e em formatos diferentes, como a fruta em versão espuma num prato de sopa", revela a responsável.

Em 2019, antes da pandemia, a empresa faturou 1,3 milhões de euros e iniciou um projeto na ordem dos dois milhões de euros que ficou em standby devido à pandemia. Vai retomá-lo em 2023. Com investimento entre 300 e 400 mil euros, a empresa anuncia que vai aumentar as instalações este ano.

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