Wygroup prevê acabar 2022 com mais de 400 talentos e a faturar 30 milhões

Grupo de comunicação empresarial especializado em criatividade, tecnologia, dados e media e educação, afirma-se cada vez mais como um player português que quer servir o mundo, a partir de Oeiras.

José Varela Rodrigues
João Santos, chief operations officer do Wygroup © Paulo Spranger/Global Imagens

A organização cresce, o negócio acelera e as receitas espelham os resultados. A faturação do Wygroup cresceu a dois dígitos em 2020 e 2021 e a previsão para 2022 é superar a barreira dos 30 milhões de euros de receita, com um terço a provir já hoje de fora de Portugal. Ao mesmo tempo, os recursos humanos dão um salto: hoje há 350 profissionais para oito empresas especializadas em diferentes dimensões da comunicação e o objetivo é fechar o ano com o recrutamento de mais 70 talentos, pelo menos. Este grupo 100% português tem no horizonte a meta de se afirmar cada vez mais como uma multinacional, sempre com a Casa da Praia (o escritório de Oeiras) no centro das decisões. De Portugal para o mundo, é a ambição.

"Somos uma empresa um bocadinho diferente daquilo que existe no mercado português", afirma João Santos, chief operating officer (COO) do grupo criado há 21 anos, em conversa com o Dinheiro Vivo, na sede do Wygroup, em Oeiras, localizada à beira da Marginal e com vista para a praia de Santo Amaro e o Farol do Bugio. "Ao contrário das outras multinacionais que, quando se instalam cá, vêm trabalhar contas internacionais no mercado local, nós trabalhamos de Oeiras para o mundo", argumenta.

A companhia apresenta-se como um misto de consultora e agência de comunicação, operando em cinco áreas através de oito empresas. A By, a White Way, a Fever, a Nervo e a Bloomcast atuam na Criatividade. A Bliss Applications serve a Tecnologia, enquanto a Performance Sales foca-se em Dados e Media. O Wygroup também trabalha na área da Educação e Conhecimento, após a recente aquisição da Lisbon Digital School (LDS), depois da prematura morte de Virgínia Coutinho, referência do marketing digital português e fundadora da LDS.

O Wygroup controla um ecossistema de comunicação empresarial relevante, em Portugal, integrando serviços de consultadoria, estratégia de marca e comunicação. Por cá, serve os gigantes nacionais Sogrape, Amorim, Lactogal, EDP ou Sociedade Central de Cervejas. "São cerca de 220 clientes" em território nacional, segundo o gestor.

Além da Casa da Praia, há ainda um escritório no Porto e outro em Boston, nos Estados Unidos. O mercado norte-americano é "o principal mercado fora de Portugal", servindo gigantes como a AON, o Bank of America. Para provar a lógica que o grupo trabalha de Oeiras para o mundo, João Santos revela que "um terço da produção é exportação". Fora de Portugal o grupo tem cerca de duas dezenas de clientes.

Mesmo com a pandemia os negócios do Wygroup aceleraram e, por isso, acredita-se que há espaço para crescer ainda mais, aprofundando projetos e unidades de negócio sobretudo nas áreas de tecnologia e de dados. Terão sido essas áreas a permitir uma melhoria dos resultados.

Futuro passa pelos dados

Em 2020, as receitas cresceram 20%, em termos homólogos, para mais de 16 milhões. "No ano seguinte, voltamos a impulsionar os resultados e o volume de faturação", acrescenta. A receita crescera 56%, para cerca de 27 milhões de euros. Para 2022, o COO do Wygroup estima que o volume de negócios chegue à barreira dos 30 milhões de euros.

João Santos salienta que o contexto pandémico foi "um amplificador de necessidades de digitalização e de mudança de alguns modelos de negócio" e, nesse sentido, o grupo conseguiu "responder muito bem nessa transição digital e na busca de novos modelos de negócio".

O gestor regista que a Bliss Applications representa a "área de crescimento mais acelerado, com um desenvolvimento nacional e internacional muito apreciável", a par da Performance Sales. "São áreas que mais facilmente se internacionalizam e ganham volume", acrescenta.

Ao mesmo tempo que o grupo respondia às exigências conseguia reforçar os recursos humanos. "Em janeiro de 2021, éramos 270, hoje somos 350 e temos planos para chegar a dezembro deste ano com entre 420 e 430 talentos", nota. Ou seja, para continuar a acompanhar o crescimento do negócio, o Wygroup quer contratar, pelo menos, mais 70 profissionais em 2022.

Em janeiro já entraram 23 pessoas, e já há mais 26 vagas em aberto. O reforço será feito principalmente nas áreas de tecnologia e de dados. "São as áreas que mais necessitam de talento" e também aqueles que "mais facilmente exportam e têm aceitação noutros países", reforça o COO do Wygroup.

O gestor indica que a economia dos dados ainda não é uma realidade, mas que há muito potencial de futuro, se as empresas conseguirem "relacionar o negócio com os dados da atividade". Essa ligação, sublinha, pode ser uma vantagem, permitindo antecipar passos ou até "fazer grande uma pequena empresa". Os dados podem "refinar negócios e criar outras tipologias de produtos ou de análises ao negócio". "A oportunidade existe para todos", sublinha, e "pode fazer a diferença", sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME) nacionais.

Criar uma "estrutura digital e estrutura de conhecimento" tem de ser o caminho para as empresas, defende João Santos. "Conhecimento só se faz com dados" e isso pode ser uma "alavanca" para o futuro.

O salto do sapo

Mas para isso acontecer em Portugal, a captação e retenção de talento é um desafio a superar. "Por uma simples razão: o nível salarial em Portugal ainda é relativamente baixo. É fácil para as grandes empresas virem comprar talento a Portugal, e até deixarem-no a trabalhar em Portugal para outras geografias", esclarece.

No caso do Wygroup, a maior capacidade de empresas internacionais recrutarem no país também se faz notar. Ainda assim, o grupo regista uma média de 3,8 anos de permanência de um trabalhador na empresa. Mas para encontrar respostas às necessidades, a empresa já teve de ir recrutar no Brasil. Segundo João Santos, "cerca de 30 pessoas" foram contratadas no Brasil. A próximidada e da língua justifica a alternativa.

Mas a afirmação leva a conversa para a competitividade das empresas e para o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Diz João Santos que hoje a transição digital representa "uma oportunidade magnífica", prevendo que é improvável que se repita num futuro próximo. Mas para isso é preciso haver capacidade. O problema não está nos grandes players, mas nas PME que precisam de se posicionar.

Como se faz isso? "Pensando rapidamente e utilizando corretamente os modelos que estão à disposição do PRR para a digitalização, não em modelos básicos mas naqueles que façam a diferença. Não podemos perder tempo a discutir se fazemos uma loja online, temos que fazer modelos de investigação profunda que diferenciem as empresas portuguesas de uma vez por todas", responde.

"Há uma fuga de talentos nacionais", realça. E as "empresas portuguesas, que hoje não estão disponíveis e não estão a valorizar a oportunidade que hoje têm de rapidamente capitalizarem o talento que está em Portugal e que pode ser um acelerador de modelos digitais", vão enfrentar uma "barreira à competitividade", um "mercado de escassez de talento nacional".

"Temos de ser capazes de dar o salto do sapo, como dizem os norte-americanos. Podemos estar parados e fazer as coisas devagarinho ou podemos concentrar energia nas nossas pernas para darmos o salto lá mais para a frente. Em termos digitais, aquilo que a economia portuguesa necessita é dar esse salto do sapo", conclui, defendendo que o PRR permite esse movimento de futuro. "Este é o momento e a oportunidade da economia portuguesa conseguir fazê-lo", afirma.

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