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André Manz: “As pessoas têm uma maior consciência da necessidade de exercício físico”

André Manz, Manz Fitness
André Manz, Manz Fitness

André Manz, fundador da empresa de formação em fitness Manz, considera que há mais oportunidade que crise no mercado do exercício físico. A empresa, que também organiza eventos e produz vinho – ManzWine – tem uma das convenções anuais mais importantes da Europa no mercado.

Durante a convenção 2012, que decorreu este fim de semana em Aveiro, André Manz explicou ao Dinheiro Vivo o que pensa do momento que se vive no fitness em Portugal.

Foi possível manter o investimento dos profissionais e expositores na convenção, em momento de crise nos ginásios?

A crise é um pouco
relativa. Anda no ar, existe, principalmente para quem está
desempregado. Em algumas áreas de negócio o consumo baixou, porque o poder
de compra das pessoas baixou. O desemprego aumentou bastante mas na
cabeça das pessoas existe um grande pessimismo que tem feito recuar
bastante o consumo.

Como contornaram isso?

Para superarmos esta
situação de pessimismo tentámos passar o máximo de positivismo às
pessoas. Queremos fazer com que tenham aqui uma válvula de escape e
encontrem energia para superar as próximas dificuldades. Tivemos que duplicar
o nosso trabalho para poder manter o mesmo número de participantes
do evento. Superámos um pouco 2011, por causa da vinda de um grande número
de espanhóis este ano.

Quantas pessoas vieram?

Temos perto de 3000 inscritos na
convenção. Tivemos que trabalhar mais que
nos anos anteriores para motivar e vender, mas principalmente para
tentar esquecer por alguns momentos o pessimismo. É só notícias más. Eu
estou há um ano e três meses sem ler jornais, (principalmente
desportivos porque sou sportinguista), sem ouvir rádio e sem ver
televisão. Só tomei conhecimento que o Steve Jobs tinha morrido há
três semanas num jantar. Se entramos neste
ciclo do pessimismo isso acaba por se reflectir nos nossos negócios.

No entanto, a feira parece ter menos
expositores.

Não há menos expositores,
a área de exposição até aumentou ligeiramente. Eles diminuíram foi a
compra dos metros quadrados. Tiveram que se adaptar. E isso eu acho
normal, porque o consumo estava absurdo. Agora você vai e compra o que realmente vai
consumir.

Mas isso não está a
prejudicar a prática do exercício físico, por haver menos rendimento
disponível?

Há ginásios a fechar e
ginásios a abrir. O nosso departamento de Les Mills, que vende os
programas tipo Body Combat, é o único que vai alcançar o ‘target’ no final do ano.
Tanto em vendas, que aumentaram, como pela redução de
cancelamentos. É verdade que
houve muitos cancelamentos, que os mais fracos não sobreviveram com
a crise e as dificuldades financeiras. Mas abriram novos ginásios,
outros adaptaram-se. Tiveram de fazer novas políticas de preço,
tiveram de ser mais criativos para atraírem mais consumidores. As
pessoas têm uma maior consciência da necessidade de exercício físico.

Então porque é que Portugal
continua a ter uma taxa muito baixa de exercício físico?

A prática é muito baixa
mas tem aumentado significativamente. Aí está uma oportunidade, ser
baixa significa que há muitos consumidores que podemos atrair para
os nossos ginásios. É isso que está a ser feito. Antigamente você
recebia folhetos no correio para ir ao ginásio. Hoje em dia os
consultores batem-lhe à porta de casa. A realidade mudou, temos de
ir buscar as pessoas a casa e mostrar o quão importante é fazer
exercício. O que você prefere, aumentar o consumo de remédios, ou
com exercício ter uma vida mais saudável? As pessoas falam cada vez
mais em bons hábitos alimentares. E toda a parte social que um
ginásio pode proporcionar. Hoje com as rede sociais e a internet,
reduzimos a vida social cara a cara e o ginásio é um grande refúgio,
onde você pode fazer amizades, onde pode conviver, onde pode marcar
um encontro. O ginásio tem outras vertentes e outros artifícios que
podem atrair o consumidor.

Tiveram de fazer ajuste de
preços?

Mantivemos o mesmo preço do
ano passado. Criámos foi mais motivação naquilo que iríamos
apresentar aqui. Houve um maior esforço. Há alguns anos mandávamos
um folheto para a casa das pessoas e ficávamos à espera, porque era
natural que se inscrevessem para a convenção. Hoje não. Coloquei
mais consultores na rua, foram aos ginásios conversar com os
instrutores, tentar motivá-los, fazer parcerias com empresas de
média, para poderem comunicar mais. Eu estava apreensivo, com medo de
este ano haver redução, e por isso recorri ao país
vizinho. Comecei a fazer comunicação e acordos com universidades em Espanha.

Quantos espanhóis
trouxeram?

Só da Universidade de
Toledo vieram 100 estudantes. Correu bem. Aumentámos
ligeiramente o número de inscritos na convenção graças a esse
esforço.

Como mantêm o interesse na convenção, visto que este tipo de eventos na Europa está a perder participantes?

Andamos contra a corrente.
Na Europa as convenções começaram a diminuir em termos de público,
nós aqui não parámos de inovar. Tentamos sempre todos os anos ter
aulas diferentes, programas diferentes, inovar (dentro das nossas
possibilidades) os espetáculos que temos na feira. Aqui é um ponto
de encontro, já está no calendário dos professores. É o lugar
onde têm de vir, onde terão as informações de todas as tendências
que acontecem no mundo. Temos oradores dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão. Aqui
sabe-se qual o caminho que o mercado vai levar no próximo ano. Mais
que tudo, é a grande máquina impulsionadora do resto do
mercado. É aqui que vêm buscar energia e motivação para
continuar. É uma prova que tento dar aos donos de ginásio: isto é
possível. Se eu enchi esta casa, vocês também têm possibilidade.

Que tipo de preocupações
tem ouvido dos donos dos ginásios?

Estão mais apreensivos.
Nunca sabemos como vamos acordar. O conselho que dou é que se tentem
concentrar mais no trabalho e encarar menos o pessimismo. Não se tentem
enquadrar num determinado jogo. É traçar o nosso próprio jogo, a
nossa meta para o ano, e as coisas acabam por funcionar.

Os ginásios low cost vieram
dar um novo fôlego ao mercado?

Sim, é um exemplo. O caso do
Fitness Hut é de sucesso. Conversei com o CEO há pouco tempo e está
feliz. Descobriu uma grande receita em termos de negócio, tem um
caminho, está focado, vai abrir novos clubes ao longo do ano. Não
sabe o que é crise.

Mas pelo contrário, a Associação de Ginásio e
Academias traça um cenário negro.

É
uma tendência pessimista, que não leva a absolutamente nada. Vai
fazer com que os proprietários acabem por desistir. As associações
deviam estar mais preocupadas em motivar as pessoas e dizer “vamos em
frente” do que chorar o leite derramado. Não adianta reclamar o que
os políticos fizeram. Temos que andar em frente, as coisas não
páram.

É importante manter esta
inovação nas máquinas, nos equipamentos, nas aulas?

O mercado internacional está
atento à inovação. É um mercado em plano desenvolvimento. Não só
relativamente às máquinas, a todos os métodos de treino, os
pequenos acessórios de treino, a volta da utilização do próprio
corpo na ginástica, o personal trainer, o treino funcional. As aulas Les Mills não páram: lançámos
duas novas modalidades este ano, no próximo ano temos mais algumas.
As pessoas cada vez mais procuram experiências. O importante é que se mexam.
Essa inovação náo para. Internacionalmente, o mercado está muito
aceso.Tenho de estar preocupado
em trazer coisas novas para cá, e elas aparecem. Já tenho coisas
novas para o próximo ano, já estamos a trabalhar na convenção de
2013. As pessoas têm que parar com essa conversa de pessimismo. Quem
fala nisso anda para trás e vai ficar com uma nuvem negra em cima da
cabeça.

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