Antonaldo Neves assume: "não temos condições para pagar a dívida a seis meses"

No âmbito das ajudas de Estado, a TAP vai receber um empréstimo de até 1,2 mil milhões de euros que tem de se reembolsado em seis meses.

A TAP vai receber um empréstimo de até 1,2 mil milhões de euros. Bruxelas deu luz verde a que o Estado português conceda uma ajuda de Estado à companhia aérea de bandeira nacional. Uma das condições para esse empréstimo é que o valor seja reembolsado no prazo de seis meses. Antonoaldo Neves, CEO da TAP, presente esta terça-feira na Comissão de Economia, no Parlamento, assume que a TAP, tal como outras transportadoras aéreas, não tem capacidade para reembolsar esse valor nesse período.

"A Comissão Europeia requer que a maturidade seja de seis meses. Toda a dívida tem de ser paga em seis meses. Óbvio, que não temos condição para pagar a dívida daqui a seis meses. É simplesmente inviável. Nenhuma companhia aérea tem um empréstimo para pagar em seis meses", disse.

O presidente executivo da empresa garantiu que a Comissão Executiva "vai disputar até ao final e não vai aceitar que a Comissão Europeia, de forma unilateral, defina o destino da TAP. A TAP é muito importante para os acionistas, trabalhadores e fornecedores". "Na nossa visão, a Comissão Europeia podia ter dado um caminho melhor para a TAP", assinalou, acrescentando que "é um empréstimo de 1,2 mil milhões de euros. Esse empréstimo não é a única componente de auxílio de Estado que pedimos. À semelhança do que outros países fizeram, estamos a pedir também um conjunto de medidas específicas para o setor, como por exemplo, por um alívio das taxas aeroportuárias".

Rotas para o Porto

Questionado sobre as rotas para o Porto, o CEO da transportadora aérea, voltou a pedir desculpa por não ter "envolvido toda a sociedade nessa discussão". "Antes da privatização a TAP cresceu só 2% no número de passageiros no Porto. Depois da privatização, crescemos 50%. O crescimento foi de 30% nas outras rotas (que não ponte aérea). O compromisso da TAP com todas as regiões, incluindo o Algarve, é grande. Não abrimos mão de ter uma presença", garantiu.

"Temos disposição para aumentar para aumentar para o Porto e Faro. O que temos feito, enquanto a operação está numa fase incerta, temos avaliado as rotas. As operações que têm margem positiva (...) fazemos. Mas voar para gastar mais do que recebo, seria má gestão. E não abrimos mão da sustentabilidade da TAP".

Interesse de companhias europeias?

Questionado sobre se, antes da pandemia, e como chegou a ser noticiado, havia interesse de companhias estrangeiras interessadas em adquirir pelo menos uma parte do consórcio privado da TAP, o Atlantic Gateway. Antonoaldo Neves assumiu que "as negociações estavam muito avançadas. Havia meses de negociações de meses. Havia preço e que era positivo e traduzia simplesmente; era uma valorização positiva da TAP". "Eram empresas aéreas de primeiro nível. Não era apenas uma. Reconhecem a importância dessa empresa para a aviação global e o trabalho que a TAP vinha a fazer", acrescentou.

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