Greve na Autoeuropa

António Chora. “Se a VW não conseguir produzir aqui, há de produzir noutro lado”

António Chora liderou os trabalhadores da Autoeuropa por 20 anos.
(Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)
António Chora liderou os trabalhadores da Autoeuropa por 20 anos. (Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)

Em entrevista ao Jornal de Negócios, o histórico líder da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa classifica o atual conflito laboral de "populismo".

Durante 20 anos, esteve à frente da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa com um trabalho por muitos considerado como exemplar. Afeto ao Bloco de Esquerda, António Chora reformou-se há sete meses e esta terça-feira assiste à primeira greve na fábrica de automóveis da Volkswagen, do lado de fora. Mas com olhar crítico.

“Se não me tivesse reformado, esta greve estava desconvocada”, disse em declarações à TSF. Já ao Jornal de Negócios classifica o conflito de “populismo” e espanta-se que os trabalhadores estejam “demasiado confiantes nas palavras de pessoas que nunca viram na vida deles”.

O sindicalista concorda com Fernando Sequeira, o seu sucessor na coordenação da Comissão de Trabalhadores, que se demitiu após os trabalhadores terem rejeitado o acordo proposto pela administração da Autoeuropa, e que veio denunciar, também ao Jornal de Negócios, uma inflamação dos ânimos excessiva por parte do sindicato SITE Sul, afeto à CGTP. “É claramente o assalto ao castelo e a tentativa do PCP pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados. Mas isso tem sido a prática ao longo dos anos.”

Na origem do atual conflito laboral entre trabalhadores e administração está o T-Roc. Para responder à procura pelo novo veículo utilitário desportivo (SUV) da Volkswagen, a Autoeuropa quer que a fábrica passe a funcionar em 18 turnos, seis dias por semana, a partir de fevereiro e que os trabalhadores passem a laborar entre segunda-feira e sábado, com uma folga fixa ao domingo e uma folga rotativa a meio da semana.

António Chora não põe de parte a hipótese da deslocalização de parte da produção do novo modelo. “Eu já vi isto acontecer em 2005 e 2006 na Volkswagen em Pamplona e na Seat em Barcelona. Num caso não foram admitidos trabalhadores, noutro caso foram para a rua”, indica, acrescentando que cerca de 700 ou 800 postos de trabalho poderiam ficar em risco com uma deslocalização. “Se a Volkswagen não conseguir produzir os automóveis aqui, há de produzi-los noutro lado”.

Contudo, Chora acredita que poderá haver um acordo até ao final do ano. “Penso que sim, se houver uma nova comissão de trabalhadores com carisma. Gostaria que uma lista independente ganhasse as eleições”. A nova equipa é conhecida a 3 de outubro.

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