Aos 90 anos, tudo correu mal na Cerâmica Valadares

Fébrica
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A recuperação da Cerâmica Valadares é “totalmente inviável”, daí que o novo plano de insolvência proponha a liquidação controlada dos ativos da empresa.

Assim, se põe um fim a uma empresa, situada em Vila Nova de Gaia, criada a 25 de abril de 1921, que empregava cerca de 560 pessoas.

No início da sua laboração a Cerâmica de Valadares fabricava tijolos, telhas, azulejos, louça sanitária e acessórios cerêmicos para quartos de banho e mosaicos. Nos últimos anos, para responder aos interesses dos seus clientes, passou a comercializar outros produtos, como torneiras e banheiras, que não sendo de fabrico próprio tinham a marca e a garantia Valadares.

No entanto, mesmo estas mudanças não alteraram o rumo da empresa que começou a ser traçado no final de 2011, com o atraso do pagamento dos salários dos trabalhadores.

Agora, e de acordo com o plano proposto pelo administrador da insolvência, Rui Castro Lima, é reconhecida a impossibilidade de satisfazer a totalidade dos créditos sobre a insolvência, que ascendem a 95,9 milhões de euros.

O total do passivo é dividido em duas partes, sendo que 74,2 milhões de euros pertencem à banca, sendo o BCP o maior credor e a quem é atribuída a dação dos imóveis sobre os quais tem hipoteca, e 10,5 aos trabalhadores.

Quanto aos trabalhadores, que já estão a receber subsídio de desemprego desde outubro de 2012, depois de todos os funcionários da empresa terem suspendido os contratos, com o novo plano de insolvência não está previsto o “reembolso integral destes créditos, uma vez que o produto expectável da liquidação do ativo da insolvente não atingirá previsivelmente valor suficiente para tal”.

Assim, aos trabalhadores o plano de reeembolso apresentado prevê apenas o pagamento de 50% dos créditos numa única prestação, mas após a venda do estabelecimento industrial e comercial.

As contas para o plano de insolvência contaram com a colaboração da consultora Ernst & Young, que estabeleceu um valor base para a venda do estabelecimento na ordem dos 5,2 milhões de euros, com a previsão de um volume de negócios de 4,5 milhões no primeiro ano e um volume médio de 11 milhões nos anos seguintes.

O administrador da insolvência lembra que é necessário que o plano seja aprovados pelos principais credores, trabalhadores e BCP, e caso se verifique a impossibilidade da venda do espaço industrial e comercial no prazo de 90 dias, o processo segue para “liquidação imediata e forçada do ativo”.

“Trata-se concretamente de um plano de liquidação (e não de recuperação), através do qual se acredita que, fruto de uma liquidação diferente da prevista no regime supletivo legal, se logrará obter um resultado muito mais satisfatório para os credores, no limite, pelo melhor reembolso que se perspetiva para os seus créditos” escreve Rui Castro Lima nas considerações finais do plano datado de 14 de janeiro.

Recorde-se que até ao momento o ún ico plano de insolvência que existia era apresentado pela administração da empresa, que previa a saída de 159 trabalhadores e o pagamento de metade da dívida ao BCP, através da dação dos imóveis da Valadares. Simultanemanete seria celebrado um contrato de arrendamento por 30 anos.

Na última assembleia de credores realizada a 12 de novembro do ano passado, o representantre do BCP afirmava que o banco era favorável à manutenção da empresa, mas frisava que o plano apresentado continha “pressupostos desfasados da realidade” e “nunca poderia merecer a aprovação do BCP”.

Nessa mesma assembleia os trabalhadores dizima não acreditar na viabilidade da empresa. O representante da Comissão de Trabalhadores, Daniel Gonçalves dizia mesmo “a empresa está morta”.

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