Centros Comerciais

APCC. Mudanças legislativas podem levar à falência dos shoppings

Centro Comercial Colombo reabriu dia 15 de maio depois de três meses fechado devido à pandemia de Covid-19. 
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Centro Comercial Colombo reabriu dia 15 de maio depois de três meses fechado devido à pandemia de Covid-19. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Se a proposta do PCP passar no Parlamento poderá levar à insolvência de 20% dos shoppings até ao final do ano e a uma perda de 75 mil empregos.

Se o Parlamento aprovar a proposta legislativa do PCP para que os lojistas paguem até março de 2021 apenas a componente variável das rendas, há risco de falência dos shoppings, alerta a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC). A associação estima que, se a Proposta de Aditamento ao Orçamento Suplementar para 2020 feita pelo PCP obtiver luz verde, mais de 20% dos centros comerciais tenham dificuldade em manter-se em operação até ao fim do ano, gerando uma perda de 75 mil postos de trabalho.

“Vivemos num contexto de grandes desafios, e os centros comerciais não estão imunes. Podem entrar em falência, destruindo milhares de empregos. Ainda este fim de semana, no Reino Unido, um dos maiores operadores de Centros Comerciais do país, a INTU, cuja dívida ascende a 5 mil milhões de euros, entrou em processo de insolvência. É necessário conhecimento, ponderação e equilíbrio nas medidas a tomar para que todos os envolvidos na cadeia de valor desta indústria possam recuperar a sua atividade de forma sustentável. O sucesso dos centros é o sucesso dos seus lojistas e vice-versa”, afirma António Sampaio de Mattos, presidente da APCC, citado em nota de imprensa.

A proposta já recebeu o aplauso da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR). A associação que representa mais de 130 marcas colocou, na semana de votação da proposta, um outdoor frente ao Parlamento alertando para a importância do tema das rendas para os lojistas.

Mas para a APCC – que representa 93 conjuntos comerciais, ou seja, mais de 90% da área bruta locável total existente em Portugal e cujos centros integram 8.600 lojas -, a proposta do PCP poderá levar ao encerramento de mais de 2 mil lojas, e a uma perda aproximada de 25 mil postos de trabalho diretos e 50 mil indiretos.

 

“Num cenário em que uma medida deste tipo fosse aprovada, os centros comerciais teriam de obter financiamento adicional para continuarem a operar. Perante uma situação destas, o acesso a financiamentos provenientes da banca, ser-lhes-ia vedado”

 

A proposta, diz a a associação, “demonstra desconhecimento do modelo de negócio dos centros comerciais, que correspondem a elevados investimentos com retornos relativamente baixos, tendo, por isso, como proprietários sobretudo investidores de muito longo prazo.

“Num cenário em que uma medida deste tipo fosse aprovada, os centros comerciais teriam de obter financiamento adicional para continuarem a operar. Perante uma situação destas, o acesso a financiamentos provenientes da banca, ser-lhes-ia vedado”, explica o o presidente da APCC.

Sendo esta uma medida transversal a todos os lojistas, a proposta legislativa do PCP iria, “indiscriminadamente, beneficiar desde as marcas internacionais de grande dimensão até aos pequenos comerciantes de uma só loja, com capacidades diferentes para fazerem face à situação que vivemos”, realça a associação.

A proposta do PCP, alerta ainda o presidente da APCC, não considera os 305 milhões de euros de apoios já acordados com os lojistas para 2020, abrangendo mais de 87% dos lojistas, através de descontos e moratórias de rendas, que vão para além da “lei das moratórias” e que permitem diferir o pagamento destas mensalidades para 2021 e 2022, nem tem em conta “o histórico da abordagem equilibrada e de negociação que este sector sempre teve face a contextos desafiantes, e que lhe permitiu ultrapassar a última grande crise (2010-2012)”.

“A proposta do PCP abriria um precedente gravíssimo. Desde 2015, seguradoras, fundos imobiliários e de pensão estrangeiros investiram em imobiliário comercial português 10,5 mil milhões de euros, dos quais 2,7 mil milhões em Centros Comerciais. Isto comprova que esta indústria é um cluster de excelência no país, baseado num modelo de gestão que, há mais de 35 anos, beneficia os consumidores, os lojistas e os proprietários. Estes investidores de longo prazo podem novamente ter um papel importante na recapitalização do país, mas a estabilidade fiscal e legal é elementar para que isso possa verificar-se”, conclui o responsável.

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