APED: Não vender livros ou roupa nos super vai "prejudicar cidadãos no acesso a determinados produtos"

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) considera a proibição de não vender produtos, como livros ou roupa, nos super uma decisão política do Governo que impede acesso a uma franja da população.

"A APED defende a sã concorrência e o equilíbrio de mercado. Naturalmente, vamos acatar esta decisão política do Governo e os nossos associados do retalho alimentar quando sair o despacho vão acatar todas as orientações", começa por reagir Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), à decisão do Governo de proibir durante o confinamento a venda de produtos como livros, roupa ou materiais de decoração nos supermercados.

"Não percebemos muito bem qual o racional que esteve por trás desta decisão política. É preciso ter em conta que há muitas zonas do país onde a oferta de produtos não é muito diversificada e julgamos que isto vai, sobretudo, prejudicar os cidadãos no acesso a determinados produtos que normalmente são fornecidos pelos espaços do retalho alimentar que têm implantação e uma capilaridade bastante grande no país", diz. "É especialmente preocupante na área da cultura, dos livros, mas também preocupante noutros segmentos."

"Não conseguimos prever o impacto. Os cidadãos ficam ainda com a disponibilidade de acesso aos produtos via online em diversas plataformas", destaca.

"Ficamos muito satisfeitos pelo facto do click and collect, as chamadas vendas ao postigo, ser uma realidade para este tipo de empresas, agora todos sabemos que nem toda a gente tem acesso a equipamentos que permitam isso. Estamos a por de fora uma grande franja da população que não tem acesso a estes mecanismos do online e do click and collect", ressalva.

A manutenção do click and collect para o retalho especializado era algo pedido pela APED que, entre os associados tem empresas como a Ikea, Leroy Merlim, Calzedonia ou C&A.

"O governo tomou esta decisão que vamos cumprir escrupulosamente a partir de segunda-feira. Isto vai obrigar a operação logística bastante grande", realça. "Sensibilizamos o governo para uma questão: não é possível retirar os produtos da loja, não é possível devolver os livros a todas as editoras, faria com que entrassem em colapso", aponta.

"Vamos ter de ser bastante criativos na procura de soluções para manter os produtos em loja e impedir com que sejam vendidos."

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