Apenas um comboio circulou com mais de dois terços da lotação

"Não temos um problema de sobrelotação de comboios na Área Metropolitana de Lisboa", assegura o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Apenas um comboio falhou a regra de lotação nos transportes desde o início da pandemia. Na passada quarta-feira, pelas 16 horas, um comboio no sentido Lisboa-Oriente - Sintra circulou com mais de dois terços dos lugares ocupados, segundo informação apurada pelo Dinheiro Vivo junto do Ministério das Infraestruturas e da Habitação.

Para o ministro desta pasta, Pedro Nuno Santos, os comboios estão a cumprir as regras de ocupação de passageiros impostas pela Direção-Geral de Saúde por causa da covid-19.

"Neste momento, não temos um problema de sobrelotação de comboios na Área Metropolitana de Lisboa. está mesmo muito baixa para aquilo que é habitual", referiu esta segunda-feira o ministro que tutela a CP e a Infraestruturas de Portugal em declarações aos jornalistas.

As palavras de Pedro Nuno Santos surgem depois de várias reportagens televisivas terem mostrado algumas comboios na Linha de Sintra, na hora de ponta da manhã, com passageiros em pé e a acumularem-se junto às portas. "Os comboios vão cheios", referem os relatos dos utentes desses comboios.

Os dados do Governo apontam noutro sentido: "Na hora de ponta, na esmagadora maioria dos comboios da Área Metropolitana, temos uma lotação, em média, abaixo dos 50% ou mesmo dos 30%. Em 652 comboios por dia na Área Metropolitana de Lisboa, só meia dúzia deles teve lotação acima dos dois terços", argumenta o ministro.

A diferença entre os dados do Governo e a perceção dos utentes tem a ver com a forma como é calculada a lotação dos comboios. Por exemplo, na Linha de Sintra, um comboio com oito carruagens pode transportar até 2000 pessoas, se forem ocupados todos os lugares sentados e em pé forem ocupados.

Por causa disso, um comboio que pode ser considerado como cheio, porque estão ocupados todos os lugares sentados, apenas circula com um terço da lotação (perto de 700 pessoas), segundo as regras internacionais.

Isto quer dizer que o comboio só consegue atingir os dois terços da lotação se todos os lugares sentados forem ocupados e ainda houver dezenas e dezenas de utentes de pé em todas as carruagens.

Por causa disso, o ministro das Infraestruturas lembra: "É fundamental que as pessoas usem a máscara, que é obrigatória dentro do comboio e da estação. As pessoas também podem ter a certeza de que o comboio é limpo diariamente e, quando é possível, mais do que uma vez por dia."

Desde meados de março, já foram mesmo realizadas mais de 52 400 ações de desinfeção, que custaram mais de um milhão de euros à empresa pública ferroviária.

Contágio mínimo

Apesar de o comboio preenchido impedir o distanciamento social entre os utentes, o Governo garante que o risco de contágio neste meio de transporte "não é acima da média". Dos 2200 trabalhadores da CP que estão todos os dias no terreno (motoristas e revisores), "apenas três foram infetados com covid-19" durante o serviço.

Segundo os dados do Governo, há ainda seis casos de motoristas e revisores que foram infetados devido às cadeias de contágio - ou seja, não foram contaminados enquanto estavam ao serviço da CP. Entre as 700 pessoas da limpeza, há zero casos de covid-19.

 

 

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