Apoios à banca custaram 20,7 mil milhões em dívida e pesaram 7% no défice

Medidas de apoio ao sistema financeiro custaram o equivalente a 7% do PIB no défice e 11,5% do PIB na dívida pública

As rondas sucessivas de medidas de apoio ao sistema financeiro português obrigaram o Estado a endividar os contribuintes em mais 20,7 mil milhões de euros entre 2007 e 2015, segundo números do Banco de Portugal, que avaliou em 11,5% o impacto na dívida pública destes apoios nestes anos.

Além do custo para os contribuintes destes apoios refletidos na dívida pública, o Banco de Portugal apontou igualmente que estas medidas provocaram um rombo nas contas anuais do país, forçando sobre os residentes em Portugal um défice equivalente a 7% do PIB no período, perto de 12,6 mil milhões de euros - isto considerando o valor do PIB no final de 2015.

"Em Portugal, o impacto acumulado das medidas de apoio ao sistema financeiro entre 2007 a 2015 foi de -7,0 por cento do PIB de 2015 no défice e de 11,5 por cento do PIB na dívida pública, ilustrando-se, no gráfico 3, a evolução observada ao longo daquele período", detalha o Banco de Portugal na nota sobre a dívida pública divulgada esta quarta-feira.

O banco central refere ainda que entre as principais operações que aumentaram o défice pago pelos contribuintes encontram-se a "assunção de imparidades do Banco Português de Negócios", avaliadas em 1% do PIB e registadas em 2010, a capitalização do Novo Banco, 2,8% do PIB em 2014, e mais recentemente o Banif, cuja resolução limpou 1,4% do produto.

Em termos de impacto na dívida pública, só os contribuintes de Irlanda, Grécia, Chipre e Eslovénia tiveram que se endividar mais pelo seu sistema financeiro que os portugueses, verificando-se o mesmo cenário em termos de impacto dos apoios no défice de cada país.

"Ao nível do endividamento acumulado entre 2007 e 2015 das administrações públicas dos Estados-Membros, as medidas de apoio ao sistema financeiro tiveram maior reflexo na dívida pública da Irlanda (31,8% do PIB), Grécia (25,7% do PIB), Chipre (21,0% do PIB) e Eslovénia (17,0% do PIB) e Portugal (11,5% do PIB)", detalha do BdP.

No final de abril, a dívida pública portuguesa situava-se em 235,8 mil milhões de euros, "o valor mais elevado desde fevereiro de 2015", representando uma subida de 2,8 mil milhões face a março de 2016. O banco central justifica o crescimento com as "emissões líquidas positivas de títulos de dívida no montante de 2,5 mil milhões de euros" registado no período.

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