resultados trimestrais

Apple bate expectativas apesar de crescimento modesto do iPhone

Marca vendeu 52,2 milhões de iPhones nos primeiros três meses do ano, um crescimento de 2,9% face ao homólogo

O pessimismo dos investidores tornou-se tão evidente nos últimos dez dias que as ações da Apple desvalorizaram cerca de 7% em antecipação aos resultados dos primeiros três meses do ano. No entanto, os números vindos de Cupertino para o segundo trimestre fiscal não confirmaram as piores suspeitas, pelo contrário: as vendas da empresa subiram 16% para 61,1 mil milhões, os lucros por ação cresceram 30% e o número de iPhones vendidos ficou em linha com as expectativas.

Entre janeiro e março, os consumidores compraram 52,2 milhões de smartphones da marca da maçã, o que representa uma subida de 2,9% e um volume muito semelhante ao que os analistas esperavam. São boas notícias porque se temia um desempenho mais fraco do portfólio de smartphones, numa altura em que a Apple está a frear o ritmo de produção do iPhone X.

Na conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados, o CEO Tim Cook assumiu o tom habitual e disse que este foi o “melhor trimestre de março de sempre.” A Apple não dá números que permitam perceber a diferença de vendas entre os vários modelos de iPhone, mas o executivo assegurou que os consumidores preferiram o iPhone X a qualquer um dos outros em todas as semanas do trimestre.

“Quando uma equipa ganha a Super Bowl se calhar queremos que vença por mais pontos, mas ainda assim é uma vitória”, disse Cook, respondendo a uma das questões sobre as dúvidas que existem quanto ao iPhone X e o seu preço elevado. “Estabelecemos o preço conforme o valor que estamos a entregar, e o iPhone X é o melhor smartphone do mercado”, reiterou, em resposta a outra questão sobre este ponto.

O smartphone mais caro da empresa tem sido alvo de intenso escrutínio por causa da redução substancial da encomenda de componentes por parte da Apple, levando analistas a questionar se a empresa está a escoar o stock e pode descontinuar o produto. Neste momento, a Apple vende oito modelos diferentes de iPhone: SE, 6s, 6s Plus, 7, 7 Plus, 8, 8 Plus e X. Cook garantiu que a intenção é continuar a oferecer uma linha diversificada que apele a diferentes segmentos de consumidores.

Este é o produto mais importante da marca, uma vez que vale mais de metade do total das receitas, e a estabilidade das vendas é importante para a performance da empresa. Embora o preço médio de venda tenha sido neste período inferior ao esperado (728 dólares contra a expectativa de 740 dólares), as receitas provenientes de todos os modelos iPhone subiram 14% para 38 mil milhões de dólares, o que permite aos investidores manterem a confiança no portfólio.

Um ponto importante é que as vendas cresceram em todas as regiões, com China e Japão acima dos 20%. O gigantesco mercado chinês é muito importante para os números da Apple e Tim Cook frisou que o preço elevado do iPhone X não afetou as vendas. Na Europa, a subida foi de 9% e nas Américas de 17%.

A valorização das ações da empresa em mais de 3% nas trocas fora de horas confirmou o entusiasmo do mercado com esta apresentação de resultados.

Wearables e serviços em alta

O mais notável neste trimestre foi a subida muito relevante das receitas provenientes dos serviços e dos wearables, estes últimos inseridos no segmento “Outros.” Esta unidade, onde se incluem Apple Watch, AirPods e Beats, gerou 3,9 mil milhões de dólares, um crescimento de 38% face ao mesmo período do ano passado, e o volume de vendas disparou quase 50%, segundo disse Tim Cook na conferência com analistas.

Também os serviços atingiram um novo recorde, confirmando o sucesso do reforço do investimento da Apple em segmentos como os pagamentos e streaming de música e a força da App Store. Esta divisão deu um salto de 31% para 9,2 mil milhões de dólares, ultrapassando a fasquia dos 9 mil milhões pela primeira vez. Cook revelou que a Apple tem agora 270 milhões assinantes dos serviços por subscrição, mais 30 milhões que em janeiro (é aqui que se insere o serviço Apple Music).

iPads sobem, Macs descem

As outras linhas de hardware da Apple tiveram desempenhos diferentes neste trimestre. Com um novo modelo lançado recentemente, o iPad continuou a inversão da tendência de queda e cresceu 2% em unidades e 6% em receitas, num total de 9,1 milhões de iPads vendidos. Os computadores Mac, pelo contrário, sofreram uma quebra de 3% nas unidades e estagnação nas receitas.

Em termos de compensação aos investidores, foi anunciado um aumento de 16% dos dividendos e um programa de recompra de ações no valor de 100 mil milhões de dólares. A empresa pretende também reforçar os investimentos nos Estados Unidos, citando maior acesso aos seus fundos globais devido ao significativo corte de impostos corporativos aprovado pela administração de Donald Trump.

Os lucros líquidos neste período foram de 13,8 mil milhões de dólares, o que mantém a Apple no clube das empresas mais lucrativas do mercado.

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