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Apple em crise já quer amigos e aposta tudo nos serviços

Tim Cook | Apple
Tim Cook, CEO da Apple. Foto: REUTERS/Stephen Lam

A marca da maçã desilude no iPhone, mas cresce 27% nos serviços e muda de estratégia, abrindo-se a parceiros como a Samsung.

A Apple vive um início de 2019 turbulento, com menos iPhone vendidos do que o previsto, mas com uma boa notícia e uma tendência clara: os serviços estão a crescer – subiram 27% no último trimestre – e a marca prepara-se para prescindir, em certa medida, do seu ecossistema fechado.

A empresa criada a 1 de abril de 1976 passou do 80 para o 8. Depois de se ter tornado, em agosto, a primeira empresa norte-americana a atingir um valor de mercado de um bilião de dólares, tem estado em queda em valor desde o anúncio de receitas abaixo do esperado. As previsões de 91,5 mil milhões de dólares no último trimestre ficaram aquém do esperado e agora, indicam apenas 84 mil milhões, um valor 4,5% inferior ao que faturaram há um ano (88,3 mil milhões). A verdade é que a venda de iPhone parece ter atingido o seu máximo há dois anos.

Os motivos? Tim Cook culpa, em parte, a desaceleração do mercado chinês (representa 20% do total das vendas), além de os iPhone (que estão mais caros) durarem mais tempo nas mãos dos clientes, o que leva a que se compre menos. Certo é que a Apple passou de terceira marca de smartphones mais vendida na China para quinta e, em 2019, com a Huawei e outras marcas chinesas a anunciar smartphones em 5G, a Apple pode ficar atrás nessa corrida relevante na China (o 5G só deve chegar ao iPhone em 2020). O CEO da Apple não quis admitir nesta semana, em entrevista à CNBC, que as vendas do iPhone XR foram abaixo do esperado e até anunciou que o mais recente modelo (e com valor mais baixo) é o mais vendido.

iPhone à parte, Tim Cook admitiu que 2019 será um ano de aposta forte nos serviços. Mesmo sem admitir a entrada da Apple nos serviços de streaming de vídeo, para rivalizar com a Netflix (a Disney também irá entrar nesse espaço), a empresa de Cupertino investiu em 2018 mil milhões de dólares em conteúdos e em estrelas como Oprah e Steven Spielberg para o novo produto, que até pode ser gratuito para utilizadores da Apple. Para já, serviços como o Apple Music, iTunes e a App Store deram dez mil milhões de dólares à empresa no último trimestre (41 mil milhões a nível anual) e tiveram um crescimento de 27%. Cook admitiu estar focado nos wearables (como o Apple Watch, que já faz eletrocardiogramas) e nas potencialidades na área da saúde. Bob O’Donnell, analista da Technalysis, disse à CNET que a Apple “será uma empresa diferente em 2019” e pode passar a ter serviços na saúde e na subscrição de revistas – ter 1,4 mil milhões de aparelhos móveis ativos ajuda, mas não chega.

Dentro da aposta dos serviços, ficámos a saber nesta semana que a Apple vai abri-los a outras plataformas. A empresa, que tem preferido sempre, nos últimos anos, ter o controlo absoluto na união entre software e hardware, mostra os primeiros sinais de abertura para não ficar atrás da concorrência, agora que já não é uma empresa que vive apenas da venda de computadores e smartphones. Na segunda-feira ficámos a saber da parceria com a Samsung, que passa a suportar nas suas Smart TV o iTunes e o AirPlay2. Na terça-feira foi a LG a anunciar a mesma parceria e outros devem seguir-se. Em 2003, a Apple fez algo semelhante, ao levar o iTunes para o Windows. Numa altura de grande pressão sobre as vendas, a Apple tenta reinventar-se pelos serviços.

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