Tecnologia

Apple resiste à pandemia apesar de queda do iPhone, iPad e Mac

Lojas da Apple têm estado fechadas nas últimas semanas por causa do coronavírtus. (EPA/WU HONG)
Lojas da Apple têm estado fechadas nas últimas semanas por causa do coronavírtus. (EPA/WU HONG)

Marca reportou vendas e lucros acima do esperado pelos analistas, suportada sobretudo no bom desempenho dos serviços

A razia que a pandemia de covid-19 provocou no inventário da Apple e na sua capacidade produtiva tiveram efeitos significativos nas contas dos primeiros três meses do ano, com uma quebra de 7% nas receitas do iPhone, 10% no iPad e 3% no Mac. A marca já não divulga números absolutos de unidades vendidas, mas é visível que os seus maiores segmentos de hardware sofreram uma contração.

A exceção foi a área dos wearables, como o Apple Watch e AirPods, acessórios e Home: aqui, as receitas cresceram mais de 20%, para 6,284 mil milhões de dólares e levaram mesmo a um recorde trimestral. E como os Serviços continuam a sua cavalgada ascendente, a empresa conseguiu crescer ligeiramente durante a pandemia. Conseguiu mesmo superar as expectativas dos analistas, finalizando o seu segundo trimestre fiscal com receitas de 58,313 mil milhões de dólares, cerca de 0,5% acima do mesmo período do ano anterior.

Os lucros, por outro lado, não resistiram à pressão. Desceram 2,7% para 11,249 mil milhões de dólares.

Segundo disse o CEO Tim Cook na abertura da conferência com analistas, após a apresentação dos resultados, as primeiras cinco semanas do trimestre correram tão bem que a Apple previa um novo recorde. O mês que se seguiu foi mais volátil, com a produção de iPhones afetada temporariamente por causa do encerramento das fábricas na China e a queda súbita da procura no grande mercado asiático. As últimas três semanas do trimestre foram más: o distanciamento social e o encerramento das lojas da Apple e dos outros canais de venda afundaram a procura, em especial por iPhones e wearables, disse o CEO.

Com o retalho fechado, a loja online da Apple teve um crescimento “fenomenal”, caracterizou, sublinhando o facto de a empresa ter conseguido crescer apesar das dificuldades.

“Não vamos dar orientações para este trimestre”, explicou Cook, fazendo o que as outras grandes tecnológicas estão a fazer, dada a incerteza sobre a reabertura da economia. “No longo prazo, temos o mais elevado nível de confiança na força do nosso negócio”, afirmou. O sucesso dos Serviços, que renderam 13,34 mil milhões de dólares e subiram 17%, resulta do investimento sustentado neste segmento, explicou Cook.

O CEO também expressou o seu “orgulho” na resiliência da empresa, mencionando a produção de máscaras e viseiras para ajudar no combate à covid-19, e afirmou que a Apple é sempre gerida com uma visão de longo prazo.

Em resposta a uma questão, Tim Cook arriscou que no pós-pandemia muita gente terá descoberto que é possível aprender e trabalhar a partir de casa, o que poderá ter implicações permanentes.

Esta não foi a história que o executivo queria contar para o trimestre, mas foi a possível, indicou. Apesar da pandemia, a marca avançou com a atualização das suas linhas de produto, com o lançamento do iPhone SE, um novo iPad Pro e um novo Macbook Air. Cook afirmou que o iPhone SE, o mais barato de todo o alinhamento, está a obter “uma forte resposta por parte dos consumidores”, não pelo preço mas porque são utilizadores que querem um formato mais pequeno ou estão a entrar no universo iOS vindos do Android.

O novo modelo foi lançado durante o trimestre em que se registou a maior queda de sempre na venda de smartphones, segundo reportou a IDC. Os números da consultora mostram, ainda assim, que a Apple sofreu menos em termos de queda de unidades que a Samsung e a Huawei.

Luca Maestri, o diretor financeiro da empresa, garantiu que a cadeia de produção e fornecimento está de volta à velocidade de cruzeiro, algo que Cook reiterou – dizendo mesmo, em resposta a um analista, que a Apple tem produção em todo o mundo e que o cenário não deve ser olhado apenas pelo lado da China, onde a montagem final da maior parte dos produtos é feita. A marca tem também montagem nos Estados Unidos, notou, e neste momento sente-se confortável com a capacidade de entrega de produtos.

Apesar de não haver orientações formais de receitas ou lucros, Maestri fez algumas previsões para o trimestre que termina no final de junho. Tendo em conta as tendências que a Apple está a verificar agora no comportamento dos seus consumidores, as vendas de iPhones e wearables deverão continuar a piorar até junho. Pelo contrário, o iPad e o Mac deverão registar um aumento das receitas. É algo que se pode explicar pelo facto de que produtos ligados à produtividade estão em alta, conforme notado pela IDC no seu mais recente relatório do mercado.

Em termos de Serviços, Maestri antevê a continuação da subida para as áreas da App store, vídeo, música e cloud. Já o Apple Care, que alarga as garantias e suporte dos produtos, e a publicidade, como os anúncios ligados ao Apple News e à App Store, deverão descer.

(em atualização)

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