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Apple retira apps concorrentes que combatem dependência do iPhone

Foto: REUTERS/Aly Song
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Há aplicações que já estão a apresentar queixa em Bruxelas. Viram o negócio cair a pique depois da Apple ter obrigado a alterar as funcionalidades

A Apple está a retirar da AppStore uma série de aplicações que permitem aos utilizadores limitar o tempo que estão ligados ao iPhone ou que os pais controlem o acesso de crianças aos conteúdos ou aplicações nos terminais móveis. No último ano, a empresa removeu ou restringiu 11 de 17 das aplicações mais descarregadas com estas características, noticiou o New York Times. Movimento começou depois de, em setembro, a empresa ter lançado ferramentas semelhantes com o seu novo software.

“Os seus incentivos não estão propriamente alinhados com ajudar as pessoas a resolver os seus problemas”, disse Fred Stutzman, CEO da Freedom, aplicação que tinha sido descarregada mais de 770 mil vezes antes de ser removida da AppStore em agosto. “Pode mesmo confiar que a Apple quer que as pessoas despendam menos tempo nos seus telemóveis?”, questiona, citado pelo New York Times.

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Timothy Cook, o CEO da Apple, afirmou recentemente que a empresa adicionou ferramentas que permitem controlar o tempo nos telefones para ajudar as pessoas. “Não queremos que as pessoas estejam a usar os seus telefones o tempo todo”, disse. “Nunca foi um objetivo para nós”, garante.

Pouco depois de ter avançado com essas ferramentas, a Apple começou a ‘limpar’ da sua loja aplicações que permitem essa gestão, argumentando que violavam a política da AppStore, como permitir que um telefone controle outro, como é o caso de aplicações de controlo parental, embora tenha permitido esse tipo de práticas durante anos e tenham aprovado várias versões das suas aplicações, diz o jornal norte-americano.

Em fevereiro, a OurPact, uma das aplicações de controlo parental mais descarregada (mais de 3 milhões), também foi retirada da AppStore, que representava 80% das receitas da aplicação. “Tiram-nos do nada sem qualquer aviso”, diz Amir Moussavian, CEO da OurPact. “Estão sistematicamente a matar a indústria.”

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Algumas aplicações já estão a recorrer às autoridades europeias. Na quinta-feira, as aplicações de controlo parental Kidslox e Qustodio apresentaram uma queixa à direção geral de concorrência europeia. A Kidslox diz que o negócio caiu a pique depois de a Apple ter forçado a mudanças na aplicação que a tornarem menos útil do que as ferramentas da própria tecnológica.

A Kaspersky Lab também está a equacionar uma queixa semelhante em Bruxelas, depois de a Apple ter forçado a retirada de funções chave na sua aplicação de controlo parental, disse um porta-voz da empresa russa de cibersegurança.

“Tratamos todas as aplicações da mesma maneira, incluindo aquelas que concorrem com o nossos serviços”, garantiu Tammy Levine, porta-voz da Apple. “O nosso incentivo é ter um ecossistema de aplicações vibrante que dá acesso aos nossos consumidores ao maior número possível de aplicações de qualidade”.

A porta-voz da tecnológica explica que as aplicações foram removidas ou sido alteradas porque podiam obter demasiada informação dos terminais dos utilizadores. O timing para esse tipo de medidas não estava relacionado com o lançamento de ferramentas semelhantes pela empresa.

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