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iPhone voltou a crescer mas coronavírus ameaça resultados da Apple

Tim Cook, durante a apresentação dos iPhone 11, em 2019.
Tim Cook, durante a apresentação dos iPhone 11, em 2019.

Encerramento de lojas, tráfego de consumidores reduzido e incerteza na cadeia de fornecimento afetam previsões de vendas

O iPhone 11 pode ser oficialmente considerado um sucesso, depois de ter contribuído de forma decisiva para que a linha de smartphones da Apple voltasse a crescer no primeiro trimestre fiscal de 2020, findo a 31 de dezembro. As receitas do iPhone subiram 8% para 55,9 mil milhões de dólares, mais de metade do recorde de 91,8 mil milhões que foi estabelecido neste período. A Apple nunca tinha faturado tanto num só trimestre.

No entanto, a propagação do coronavírus na China já está a ter efeitos imediatos nas vendas da empresa, além de ameaçar a sua cadeia de fornecimento, e justificou que a empresa tenha alargado o intervalo das suas previsões para o próximo trimestre. Foi o que disseram hoje o CEO Tim Cook e o diretor financeiro Luca Maestri durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação dos resultados da empresa.

“Fechámos uma das lojas regionais e uma série de parceiros de canal também fecharam as suas lojas”, adiantou Cook, referindo que “muitas das lojas que continuam abertas têm horários de operação reduzidos.”

E embora as vendas na região de Wuhan sejam pouco significativas, o problema é que “o tráfego de consumidores no retalho também foi afetado fora da zona, em todo o país, durante os últimos dias”, explicou o CEO.

A Apple está a tomar precauções adicionais nas lojas que se mantêm abertas, com limpezas profundas e verificações regulares da temperatura corporal dos empregados.

No que toca à cadeia logística, a empresa tem alguns fornecedores na região de Wuhan e está “a trabalhar em planos para mitigar quaisquer perdas de produção”, disse Cook. Nos fornecedores que estão fora desta região “o impacto é menos claro”, adiantou, sendo que um dos problemas é que a reabertura das fábricas após o novo ano lunar foi adiada para 10 de fevereiro. Todos estes fatores ameaçam as vendas nos próximos meses. “Temos um intervalo mais alargado que o habitual nas previsões de receitas para o segundo trimestre devido à maior incerteza”, disse Cook. O intervalo é entre 63 e 67 mil milhões de dólares, anormalmente elevado.

O CEO disse ainda que a Apple restringiu todas as deslocações à China a “situações de negócio críticas” e que está a doar dinheiro aos grupos que trabalham no local para conter o vírus.

Até ao final de dezembro, a empresa tinha conseguido virar a tendência do mercado chinês com um crescimento a dois dígitos da venda do iPhone e um desempenho particularmente forte do iPhone 11, explicou Cook. A classificação do lançamento como um sucesso ficou espelhada no facto de “uma grande percentagem” dos que compraram o telefone serem clientes novos da Apple.

iPhone 11, wearables e serviços brilham

A depressão de vendas do iPhone terminou no trimestre do Natal, tipicamente o mais forte do ano. Mas não foi apenas aqui que as coisas correrambem: os resultados apresentados pela empresa mostram que o segmento de wearables, onde se inclui o Apple Watch e os AirPods, deu um salto de 37% para 10 mil milhões de dólares, ultrapassando o valor da divisão de computadores Macintosh.

Na área crítica dos serviços, onde se englobam as várias ofertas de subscrição como Apple Music e a recém-lançada Apple TV +, novo recorde: 12,7 mil milhões, uma subida de 17%. É aqui que o mercado vem dizendo que reside a aposta da Apple para um futuro pós-iPhone.

Segundo Luca Maestri, a Apple tem agora 418 milhões de assinantes dos seus vários serviços pagos, mais 120 milhões que há um ano. A aceleração deste negócio levou o diretor financeiro a rever em alta as previsões de subscrições para 2020, sendo que agora o objetivo é chegar aos 600 milhões de assinantes até ao final do ano.

Na rota contrária, Mac e iPad empalideceram face ao trimestre homólogo. Foram quedas mais ou menos modestas, que Maestri justificou com “uma comparação difícil” ao ano anterior dado que tinham sido lançados vários novos modelos no final de 2018 e isso dera um impulso às vendas. O iPad esteve pior, caindo de 6,7 para 5,9 mil milhões, e o Mac quase estagnou, de 7,4 para 7,1 mi milhões. “Apesar disso, o nível de procura foi mais ou menos o mesmo”, garantiu Maestri.

A Apple terminou o trimestre com 270 mil milhões de dólares em dinheiro e Maestri considerou que a empresa “está a fazer um bom trabalho” no equilíbrio entre os seus investimentos e os retornos que vem conseguindo.

E o iPhone 5G?

Os analistas tentaram, mas Tim Cook não quis comentar futuros lançamentos relacionados com o 5G. O CEO também se escusou a comentar um novo iPhone de baixo custo.

O que pareceu fazer foi justificar o atraso da Apple no lançamento de um iPhone compatível com a nova geração móvel com o estado incipiente do mercado. “É importante, quando se pensa no 5G, olhar para os diferentes calendários de implementação pelo mundo”, afirmou o responsável, apontando que ainda estamos na fase inicial do processo.

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