dia mundial da energia

APREN. É preciso “continuar a apostar na eficiência energética”

António Sá da Costa, presidente da APREN
António Sá da Costa, presidente da APREN

Presidente da APREN diz ao Dinheiro Vivo que ainda estamos longe da meta de renováveis para 2020

A Associação de Energias Renováveis (APREN) faz um balanço positivo do setor no último ano, com um crescimento da energia a partir de fontes renováveis mas ainda estamos longe de alcançar o objetivo de 60% de consumo nacional a partir de renováveis em 2020.

O presidente da entidade, António Sá da Costa, lembra que, em maio do ano passado, houve quatro dias de produção energética puramente com fontes renováveis.

Contudo, ainda há muito trabalho a fazer e o foco deve estar na eficiência energética e avançar com novos concursos para a atribuição de potência, diz o responsável, em entrevista por escrito ao Dinheiro Vivo a propósito do Dia Mundial da Energia.

Que balanço faz do papel da energia renovável em Portugal no último ano?

O ano de 2016 foi um ano húmido pelo que a produção de hidroeletricidade foi 33% acima do ano médio e isto teve um impacto direto na contribuição da eletricidade renovável que representou nesse ano específico 64% do consumo nacional de eletricidade.

Em termos da análise desta contribuição usando o critério definido na Diretiva Europeia aplicável, em que se considera uma média móvel dos últimos 15 anos ponderada pela potência em operação em cada ano, este valor reduz-se para 54%, ainda longe do objetivo de 60% em 2020.

A juntar deve ainda acrescentar-se o facto de que entre 7 e 11 de maio de 2016 no Continente, e durante 107 horas consecutivas, se ter verificado que a produção de eletricidade renovável ter excedido o consumo.

Perante estes factos não se pode deixar de fazer um balanço bastante positivo da energia renovável em Portugal, e uma prova que o objetivo de caminhar para 100% renovável é possível num horizonte não muito longínquo.

A tendência tem sido apostar nas hídricas e eólicas e o solar só está a crescer agora. O que é que é preciso para implementar efetivamente esta forma de energia?

O facto de só agora começar a crescer a eletricidade solar em detrimento das fontes hídrica e eólica se deve à maturidade técnica, e consequentemente a questões de custos, que tem sido diferenciada no tempo. Para que esta tecnologia vingue e siga uma expansão em Portugal é necessário que se proceda a um processo concursal faseado em que a potência seja atribuída com base numa tarifa não apoiada e concorrencial, e se continue a dizer que as novas centrais, solares ou de outras tecnologias, apenas seja paga com base no mercado spot, pois desta forma será muito difícil financiar estas novas centrais.

Também falta implementar o sistema de Garantias de Origem, que já devia estar em vigor há alguns anos e que não se sabe quando estará.

Outra aspeto que deveria já estar implementado é a da atribuição da função de facilitador/agregador, prevista no DL 215 B/2012 e que deveria ser atribuído através de concurso público, e que até à data ainda não foi lançado este concurso por nenhum dos responsáveis pelo setor da energia desde essa data.

Quais consideram ser os principais objetivos a cumprir até ao próximo dia mundial da energia?

Continuar a apostar na eficiência energética, implementar no mais curto prazo o sistema de Garantias de Origem e a atribuição da figura de Facilitador/agregador.

O lançamento de processos concursais de atribuição de potência à semelhança do que tem vindo a ser feito nos países da EU, nomeadamente aqui na nossa vizinha Espanha que recentemente atribuiu cerca de 3 000 MW e irá lançar mais 3 000 MW no próximo mês de agosto.

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