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Aprovada a fusão da Embraer com a Boeing

REUTERS/Roosevelt Cassio
REUTERS/Roosevelt Cassio

A aprovação dos acionistas é uma das últimas etapas no processo de criação de uma nova empresa aeronáutica avaliada em 5,260 milhões de dólares.

Os acionistas da fabricante brasileira de aeronaves Embraer aprovaram esta terça-feira, em assembleia geral, a venda do controlo da sua divisão comercial para a norte-americana Boeing, para a criação de uma nova empresa.

Na reunião, na qual participaram representantes dos proprietários de 67% das ações da Embraer, a fusão das duas empresas foi aprovada com 96,8% dos votos válidos, segundo um comunicado da empresa aeronáutica.

A aprovação dos acionistas é uma das últimas etapas no processo de criação de uma nova empresa aeronáutica avaliada em 5,260 milhões de dólares (cerca de 4,63 milhões de euros).

O acordo determina que a Embraer deve vender 80% da sua divisão de aeronaves comerciais por 4,2 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) para a Boeing, que terá a controlo total da nova sociedade. A empresa brasileira ficará com os 20% restantes.

O negócio já recebeu aprovação do Governo brasileiro, que tem poder de veto sobre todas as operações da Embraer, e foi também aprovado pelo Conselho de Administração da empresa brasileira, dependendo agora apenas dos órgãos reguladores.

A direção da Embraer prevê que todo o processo seja concluído até ao final do ano.

Em outro acordo também aprovado hoje pelos acionistas, a Embraer e a Boeing criaram uma joint venture para desenvolver e comercializar em conjunto o avião brasileiro de carga militar KC-390, através de uma segunda empresa dedicada à promoção e desenvolvimento de novos mercados na área da defesa.

“Sob os termos da parceria proposta, a Embraer deterá 51% das ações da joint-venture e a Boeing os 49% restantes”, disse o comunicado.

Os negócios da Embraer para aeronaves militares e aviões executivos permanecerão sob o controlo da brasileira.

Segundo analistas, o acordo entre estas duas empresas vem tentar contrariar a associação entre a canadiana Bombardier e o gigante aeronáutico europeu Airbus.

“O nosso acordo criará benefícios mútuos e aumentará a competitividade tanto da Embraer quanto da Boeing”, disse Paulo César de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer, citado no comunicado.

Para o presidente e CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, a aprovação dos acionistas “é um passo importante no processo de reunir estas duas grandes empresas da aeronáutica”.

“Esta parceria global estratégica é baseada numa longa colaboração histórica, que beneficia os clientes e acelera o nosso crescimento”, acrescentou.

A Embraer mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, nas Américas, África, Ásia e Europa, pelo que Portugal não será afetado com a fusão.

Em Portugal, no Parque de Indústria Aeronáutica de Évora funcionam duas fábricas da Embraer, sendo que a empresa também é acionista da OGMA (65%), em Alverca, distrito de Lisboa.

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