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Aprovados apoios à fábrica de calçado destruída nos fogos

Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens
Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Presidente da Carité acredita que a nova empresa estará a laborar a partir de maio.

As obras de reconstrução da OQ, a empresa de calçado de Castelo de Paiva, que ardeu nos incêndios de 15 de outubro, vão começar. Reinaldo Teixeira, o empresário que aceitou comprar e reconstruir a fábrica, que atirou para o desemprego, 92 trabalhadores, anunciou ontem, à margem da visita do secretário de Estado Adjunto e do Comércio às empresas portuguesas presentes na Micam, a maior feira de calçado do mundo, que o Governo já aprovou o projeto que submeteu à Repor, a linha de financiamento de 100 milhões criada para apoiar a recuperação de empresas destruídas nos incêndios na região. O presidente da Carité acredita que a nova empresa estará a laborar a partir de maio.
Reinaldo Teixeira tem já cinco fábricas – duas em Felgueiras, outras tantas em Celorico de Basto e uma em São João da Madeira –, nas quais dá emprego a 500 pessoas. Agora, com esta sexta unidade, em Castelo de Paiva, vai contratar mais 85 (alguns dos funcionários originais da OQ arranjaram já emprego) e que estão a frequentar cursos de formação enquanto aguardam a reconstrução da fábrica. O empresário, que subcontratava trabalho em Castelo de Paiva, mas não tinha qualquer intenção de investir numa nova unidade industrial, foi desafiado pelo secretário de Estado Nelson de Souza a ser parte da solução na região.
O investimento total da Carité em Castelo de Paiva vai rondar 1,5 milhões de euros, dos quais cerca de metade correspondem à recuperação da fábrica e o resto à compra de equipamento. A componente de construção conta com 70% de financiamento a fundo perdido, depois de descontados os cerca de 220 mil euros que o anterior proprietário da OQ recebeu do seguro. Além disso, o projeto contará com apoios relativos à criação de emprego.
Com uma faturação de 27 milhões de euros, em 2017, cerca de 2 milhões a menos do que no ano anterior, “mas com melhores resultados líquidos”, Reinaldo Teixeira pretende produzir calçado desportivo de senhora em Castelo de Paiva, estimando, com isto, aumentar o volume de negócios do grupo em cerca de quatro milhões de euros. A Carité exporta 98% da sua produção, com especial destaque para mercados como a Holanda, França, Alemanha e Inglaterra.
A “bem sucedida” internacionalização do calçado português, combinando mercados tradicionais na Europa com novos mercados como os Estados Unidos, foi uma das questões sublinhadas pelo secretário de Estado Adjunto e do Comércio, à margem da visita à Micam onde, até quarta-feira, 94 empresas nacionais dão a conhecer a sua oferta e procuram alargar a presença externa.
Paulo Alexandre Ferreira lembrou que o Governo está “disponível” para apoiar os industriais nesse seu esforço, dando conta que, no âmbito do Portugal 2020, foram já pagos apoios à internacionalização das empresas portuguesas no valor global de 180 milhões de euros. A inovação e a subida na cadeia de valor foram, também, destacadas. “É preciso arriscar sair da zona de conforto e explorar novos mercados, novas formas de inovar e, com isso, trazer valor acrescentado para as empresas. O calçado deve servir de exemplo para outros setores de atividade em Portugal”, frisou.
* Jornalista viajou para Milão a convite da APICCAPS.
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