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Aptoide perde utilizadores e culpa a Google. “É um movimento agressivo”

Paulo Trezentos e Álvaro Pinto, fundadores da Aptoide. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Paulo Trezentos e Álvaro Pinto, fundadores da Aptoide. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Cofundador da loja de aplicações para Android também considera que, em Portugal, a Google está a desrespeitar uma ordem da justiça.

Há um novo capítulo na guerra entre a Aptoide e a Google: a empresa portuguesa lançou uma campanha contra a gigante norte-americana e pede que a Google pare de bloquear a concorrência no sistema operativo Android.

“A Google está a impedir que os utilizadores escolham de forma livre a sua loja de aplicações preferida. A liberdade de escolha dos consumidores está em jogo”, lê-se no site da campanha e que é intitulada de Google Play Fair [Google joga limpo, em tradução livre].

Em causa está o facto de a aplicação da Aptoide, uma loja de aplicações alternativa ao Google Play e com mais de 200 milhões de utilizadores, estar a ser identificada como um serviço malicioso nos smartphones Android. A Google tem uma ferramenta de verificação de segurança que analisa todas as aplicações instaladas num smartphone e caso identifique alguma como maliciosa, essa aplicação, mesmo que instalada, deixa de aparecer na listagem de aplicações dos utilizadores.

Mesmo que a pessoa identifique a Aptoide como segura, como uma aplicação na qual confia, a instalação de aplicações através desta loja não funciona. De acordo com uma entrevista de Paulo Trezentos, cofundador e diretor executivo da Aptoide, à publicação TechCrunch, a empresa perdeu entre 15 a 20% dos utilizadores desde junho de 2018 após o bloqueio da Google.

“Felizmente temos conseguido compensar com novos utilizadores e novas parcerias, mas é uma barreira para um crescimento mais rápido”, explicou Paulo Trezentos.

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O líder da empresa portuguesa chega mesmo a dizer que se a atitude da Google relativamente à Aptoide parece violenta, “é porque é realmente um movimento agressivo e com impacto”.

“A Google está a remover a Aptoide dos telefones dos utilizadores apenas por motivos anticoncorrenciais. Não quer mais ninguém como um canal de distribuição no Android”, acrescentou o responsável. “Como a Google tem uma posição dominante, isso não é legal”, sublinhou ainda.

Paulo Trezentos vai mais longe e diz mesmo que a Google tem estado a ignorar uma decisão da justiça portuguesa, que deu razão à queixa apresentada pela empresa portuguesa, e ordenava que a gigante tecnológica parasse de identificar a Aptoide como um serviço malicioso.

“A Google está a ignorar o resultado da ordem e está a desconsiderar o tribunal. Nenhuma empresa, independentemente do tamanho, deve estar acima das decisões dos tribunais. Mas parece que esse é o caso com a Google”, disse ainda ao TechCrunch.

A Insider tentou contactar os dois cofundadores da Aptoide, mas sem sucesso. A Insider também já pediu uma reação à Google Portugal à campanha lançada pela Aptoide e atualizará o artigo assim que tiver resposta.

Já a nível internacional, a Google diz que o bloqueio feito à Aptoide acontece pois a loja de aplicações permite a instalação de aplicações inseguras – algo que, como já se viu em várias ocasiões, também acontece com a loja Google Play. Já Paulo Trezentos defende que a Aptoide é 100% segura e que a sua plataforma foi desenhada, desde o início, tendo a segurança dos utilizadores em consideração.

Recorda-se que a Aptoide foi uma das empresas queixosas sobre posição dominante da Google no sistema operativo Android e que resultou numa multa de 4,3 mil milhões de euros, aplicada pela Comissão Europeia, para a gigante dos EUA.

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