Comércio online

Aqui não há devoluções. Eles dizem qual é o tamanho de roupa certo para si

Janderson Araujo e Marcelo Bastos , sócios fundadores da Sizebay

Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens
Janderson Araujo e Marcelo Bastos , sócios fundadores da Sizebay Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens

A brasileira Sizebay instalou-se em Coimbra para avançar para o mercado europeu de comércio online de moda. Já fechou o primeiro cliente português.

Comprar uma peça de roupa online pode ser um desafio. Nem sempre o tamanho da camisola ou calças é o certo para o seu corpo. Resultado? Mais uma devolução ao site de e-commerce elevando os seus custos de operação. A Sizebay, uma startup brasileira que abriu este ano a sua operação europeia a partir de Coimbra, promete reduzir em 75% as devoluções de compras de roupa e calçado. Acaba de fechar o seu primeiro cliente nacional: a Sahoco.

A história da Sizebay em Portugal começou a escrever-se à precisamente um ano na Web Summit.”Fizemos o primeiro contacto com Portugal o ano passado com a Web Summit. Viemos com o incentivo da APEX – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos”, conta Marcelo Bastos, um dos sócios fundadores da Sizebay. “Tínhamos três objetivos, apresentar o produto e ver a sua adesão no mercado europeu, apresentar a empresa a investidores e, o terceiro, conhecer as incubadoras existentes em Portugal. Visitamos Braga, Coimbra, Lisboa, e outras cidades. Foram duas semanas intensas.”

Em janeiro a empresa recebeu um investimento de 200 mil euros de um fundo português, o Core Angels Atlantic, para financiar o movimento de internacionalização da empresa que, no Brasil já trabalha com “90% do ecommerce de moda” do país.

Fundada em Joinville (Estado brasileiro de Santa Catarina) em 2015, a Sizebay é uma scale up que fornece soluções de inteligência artificial para o e-commerce de moda, trabalha com mais de 240 clientes no mercado brasileiro, sites de comércio eletrónico como NetShoes, Decathlon, Nike, Levi’s ou a Intimissimi, a quem propõe uma ferramenta, o Provador Virtual, que ajuda o consumidor a fazer o match entre o tamanho certo da peça de roupa e o seu corpo. Como? De uma forma simples e, sobretudo, sem invadir a privacidade do consumidor, garante Marcelo Bastos.

Quando o consumidor escolhe o produto no site, perguntam-lhe em que tamanho pretende, surgindo a opção de Provador Virtual. “Quando clica, se nunca usou o serviço, perguntamos altura, peso e idade. Com estas informações, através de um algoritmo de antropometria que desenvolvemos, apresentamos um segundo ecrã onde desenhamos o corpo. Não desenvolvemos nenhuma tecnologia intrusiva, com câmara ou fotografia. Por isso, além de ser contra o GDPR, criando uma dificuldade grande com a privacidade, criaria a necessidade de o consumidor ficar quase de roupa interior. É muito invasivo. Com a antropometria formamos o seu corpo, você escolhe o desenho do corpo que mais se assemelha ao seu, e damos uma recomendação de tamanho e porquê. Mas mostramos também outros tamanhos, porque nem sempre o produto encaixa no seu corpo do jeito que quer, às vezes quer um produto mais folgado outras mais justo”, descreve Marcelo Bastos.

 

 

Esta estratégia, de dar opção de escolha ao consumidor, tem uma vantagem adicional. “Ao fazermos isso, estamos envolvendo o consumidor numa escolha e, sempre que o consumidor se envolve numa escolha, devolve menos, porque a decisão de escolha foi sua. É esse o nosso principal diferencial. Das pessoas que entraram no ecommerce e usaram o provador virtual 75% não devolve. De imediato reduzimos 75% a devolução das pessoas que fazem compras com provador virtual.”

As devoluções de produtos comprados online é um dos grandes desafios que o sector de ecommerce enfrenta, com pesados custos para a operação. “Um número realista é no mínimo 30% (de devolução) e alguns países da Europa, como a Alemanha, esses valores são mais elevados”, refere Marcelo Bastos. Só no Reino Unido, um dos mercados mais evoluídos ao nível do comércio online, os retalhistas de moda online estimam custos em 70 mil milhões de libras no ano passado.

“Esse custo de operação quem paga no final é o consumidor. O ecommerce está numa fase que tem de tem um melhor desempenho. A concorrência não está somente na escolha do produto, mas na forma como o ecommerce opera. Há grandes ecommerces hoje que transacionam muito, mas têm um prejuízo enorme. Já sabem o que o consumidor quer, mas hoje a operação de entregar o tamanho certo, o produto certo é que consome o lucro”.

E nessa parte da equação que entra a Sizebay, com a solução Sizefit, que fica disponível no site do retalhista, mediante a uma assinatura mensal.

Portugal é a porta de entrada para o mercado europeu. “Europa é o berço da moda. Europeu consome moda, o americano consome pano. Se estivermos na Europa a atender marcas europeias estamos a responder a um mercado mais exigente”, diz. “Trabalhamos com 90% do ecommerce no Brasil, mas o comércio online brasileiro no mundo é 1%. É muito pouco. Entre 23% a 25% do ecommerce mundial está na Europa”, diz.

Já com seis pessoas em Portugal, a que se juntam 22 no Brasil, a expectativa é de crescimento. “Até ao final do próximo ano que a faturação da Europa seja em moeda igual ao brasileiro e partir do outro ano que seja 75%, seja pelo potencial de crescimento na Europa, seja pela questão da moeda.”

Veja as nossas reportagens da Web Summit 2019 aqui

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