Recursos Humanos

Armas das empresas para evitar a fuga de cérebros

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Subscrição de ações, recompensas pela permanência ou pontos convertidos em experiências são algumas das soluções.

Com o mercado de trabalho “ao rubro” nas tecnologias, reter talento é um exercício vital para as empresas. E a instalação, em Portugal, de centros de competências de multinacionais como a Google, a Volkswagen ou a Mercedes, está a agravar a falta de engenheiros e de outros quadros fazendo com que os salários, só por si, possam não ser um argumento suficiente para evitar a fuga de cérebros. Programas de participação dos trabalhadores no capital estão em crescimento em empresas como a Axians Portugal ou a Outsystems, bem como a partilha de resultados anuais em função do contributo de cada um nos projetos em que esteve envolvido, como faz a Innowave Technologies. Aqui o envolvimento dos colaboradores é ainda premiado com pontos que, depois, se convertem em experiências. E é um sucesso.

Integrada no grupo Vinci há dois anos, em resultado da venda do negócio de Infrastructures & Managed Services (IMS) da Novabase à Vinci Energies, a estrutura da Axians Portugal é hoje composta por cerca de 600 pessoas, 40 das quais no recém-aberto escritório do Porto. Só este ano, a empresa, especializada em tecnologias de informação e comunicação, aumentou os seus quadros em cerca de 100 pessoas. “E com tendência para crescer”, garante o diretor executivo da Axians, Fernando Rodrigues.

A partilha de valor é aqui feita através do Castor, um programa internacional que abrange os 31 países onde o grupo está presente e que resulta da criação, em 2002, de um fundo de participação que permite aos colaboradores subscreverem ações da Vinci, cotada no CAC 40, o principal índice da Bolsa de Paris. E, em conjunto, os colaboradores são já o principal acionista do grupo Vinci, com 8,8% do capital. Na Axians Portugal há 41% dos trabalhadores que são acionistas. “Mais do que representar poupança relevante para as famílias dos nossos colaboradores, representa o acreditar das nossas pessoas no projeto que estamos a construir em Portugal”, diz Fernando Rodrigues.

A Outsystems, o novo unicórnio português, dá emprego a cerca de 700 pessoas. E continua a recrutar. Programadores, data scientists e customer success managers são algumas das funções com mais procura e, por isso, mais difíceis de contratar. Mas a empresa tem argumentos sobre a concorrência, acredita Alexandra Monteiro. A começar pelo facto de ser uma tecnológica focada no desenvolvimento de produto, que implementa “muito informal e muito pouco hierarquizada”. E, claro, o facto de ter escritórios em 11 países diferentes, dos EUA a Singapura, passando pelo Reino Unido, Dubai, Austrália ou Japão, concede “uma possibilidade de carreira com desafios constantes”. E este ano lançou o seu plano de stock options aberto a todos os colaboradores.

Com 329 trabalhadores distribuídos pela sede em Lisboa e pelos escritórios em Coimbra, Londres, Amesterdão, Bruxelas e Fairfaix, nos EUA, também a Innowave Technologies tem nas oportunidades de carreira internacional uma das suas grandes vantagens. A empresa procura, também, “capitalizar a inovação” porque, diz Tiago Roxo, “a inteligência artificial, o data mining e o machine learning são tecnologias muito atrativas”. Além de recompensas por cada cinco anos de permanência na casa e outro tipo de benefícios, designadamente a quem referencie um amigo para trabalhar na empresa, a Innowave criou a InnoPoints, uma app que “promove comportamentos de cidadania, através da gamificação”. Ou seja, os funcionários recebem pontos por serem formadores em sessões de partilha de conhecimento ou por terem comportamentos solidários e ecológicos, pontos esses que se convertem em bilhetes para concertos ou futebol. Uma ferramenta que vai passar a ser usada como “veículo para feedback espontâneo e rápido entre colegas e líderes”.

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